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Mineração sustentável promete avanço econômico e socioambiental

Da redação
16 de novembro de 2025
Estudos apresentados durante a COP30 destacam que iniciativas ESG, de gestão hídrica e economia circular podem impulsionar a atividade econômica, fortalecer a sustentabilidade e gerar ganhos sociais no setor

Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, estudos da EY mostraram que o setor de mineração brasileiro está diante de uma oportunidade histórica para consolidar práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) que podem transformar profundamente sua atuação. Segundo o Impact Edge, apresentado na conferência, iniciativas ESG têm potencial para estimular um crescimento de mais de 20% na atividade econômica do setor, além de benefícios significativos em saúde pública, geração de empregos e preservação dos recursos naturais.

Os desafios do setor incluem a necessidade de avançar na gestão sustentável dos recursos hídricos, melhorar a segurança de barragens e rejeitos, descarbonizar processos intensivos em energia e ampliar a governança socioambiental. Entre as práticas implementadas estão o reaproveitamento de águas pluviais, circuitos fechados para uso da água, monitoramento hídrico em tempo real e reinserção de rejeitos como coprodutos, principalmente na construção civil. Essa abordagem reforça a circularidade, reduz captações externas e torna as operações mais resilientes diante das mudanças climáticas.

Além do impacto ambiental, a adoção de práticas ESG traz uma valorização significativa à mineração nacional em termos de governança e conformidade regulatória. A introdução das normas IFRS S1, S2 e S3, junto à Taxonomia Sustentável Brasileira, permite que empresas do setor mensurem de forma transparente o valor monetário dos impactos das mudanças climáticas em suas atividades ― facilitando a captação de capital verde e reduzindo custos financeiros. No contexto da COP30, especialistas destacaram que o Brasil se posiciona globalmente para liderar o mercado regulado de carbono, convertendo créditos em ativos negociáveis.

O retorno social e econômico estimado pelo estudo engloba uma importante criação de valor compartilhado: mais de 3 milhões de empregos, economia anual de R$ 399 bilhões — equivalente ao PIB da Bahia em 2022 — e significativa redução de emissões de gases de efeito estufa, com potencial de evitar 19,52 MtCO₂ equivalente. Ademais, há ganhos em saúde pública, como menor número de internações e economia ao SUS, e avanços em inclusão social com o aumento de vagas afirmativas de liderança no setor.

A sócia-líder de Consultoria e Sustentabilidade para Latam da EY, Elanne Almeida, reforça que “considerando essa necessidade de compartilhar valor, é essencial que o setor de mineração se articule. Estamos em um momento em que as empresas estão correndo atrás de reportar suas informações não financeiras, com base no IFRS e na TNFD. Há uma narrativa, que está sendo construída pelo próprio setor, para trazer o valor monetário do impacto das mudanças climáticas nas operações das empresas, incluindo no fluxo de caixa. Esse arcabouço metodológico para reporte de informações não financeiras precisa ser acompanhado de perto pelas empresas”.

A mineração brasileira, portanto, vive um momento decisivo para alinhar eficiência operacional e impacto positivo à agenda global de sustentabilidade. A articulação entre governança, inovação em práticas de gestão e diálogo com comunidades prepara o setor para se tornar referência em economia circular e ESG, reunindo condições para ampliar sua competitividade, reduzir riscos e contribuir para o desenvolvimento sustentável do país.

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