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Lula defende democracia na Venezuela, mudanças no STF e critica juros altos

Da redação
5 de fevereiro de 2026
Presidente também falou nesta quinta sobre integração latino-americana, investigação do Banco Master e confiança no Banco Central

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (5) que a prioridade do Brasil em relação à Venezuela deve ser a defesa da democracia e a melhoria das condições de vida da população, e não a permanência ou retorno de Nicolás Maduro ao poder. Em entrevistas concedidas ao longo do dia, Lula abordou ainda temas como integração latino-americana, possíveis mudanças no funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a investigação envolvendo o Banco Master e a política de juros no país.

Venezuela e integração regional

Segundo o presidente, a solução para a crise venezuelana deve partir dos próprios venezuelanos, sem interferência direta de potências estrangeiras. Lula disse ter reforçado esse ponto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendendo que o foco deve estar no fortalecimento da democracia e no bem-estar da — população, inclusive com a possibilidade de retorno de milhões de cidadãos que deixaram o país.

O petista também voltou a defender maior integração política e econômica da América Latina. Para ele, o fortalecimento de instituições regionais e a atuação conjunta dos países podem evitar que a região permaneça à margem do cenário internacional. Lula ressaltou ainda que a América do Sul é uma “zona de paz”, sem armas nucleares, e que o desenvolvimento econômico e social deve ser prioridade.

Mandatos no STF e funcionamento da Corte

No campo institucional, Lula declarou ser favorável à adoção de mandatos para ministros do STF. Segundo ele, não considera adequado que um magistrado possa permanecer no cargo por até quatro décadas, caso seja indicado jovem. O presidente ressaltou, porém, que eventuais mudanças dependem do Congresso Nacional.

Ele também sugeriu reduzir o número de atores que podem acionar a Suprema Corte, afirmando que temas considerados banais têm chegado ao tribunal com frequência. Ao comentar os julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro, Lula elogiou a postura do STF e afirmou que as decisões reforçaram a democracia brasileira.

Banco Master e investigação técnica

Lula comentou ainda a reunião que teve, em 2024, com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo o presidente, na ocasião deixou claro que não haveria qualquer interferência política nas apurações envolvendo a instituição financeira.

De acordo com ele, eventuais decisões cabem ao Banco Central e devem seguir critérios técnicos. Integrantes do governo reforçam que as investigações avançaram posteriormente a partir de indícios mais concretos levantados pelos órgãos responsáveis.

Banco Central e juros

O presidente também elogiou o atual chefe do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacando confiança no trabalho do economista. Apesar disso, voltou a demonstrar incômodo com o nível elevado da taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano.

Lula afirmou que tem conversas frequentes com o presidente da autoridade monetária e que considera os juros altos um entrave ao crescimento econômico. O Banco Central sinalizou recentemente a possibilidade de cortes na taxa a partir das próximas reuniões do Comitê de Política Monetária.

Agenda externa

Durante as entrevistas, o presidente confirmou ainda a expectativa de viajar a Washington nas próximas semanas para encontro com Donald Trump, indicando que temas sensíveis, como a situação venezuelana e relações econômicas, devem entrar na pauta.

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