Primeira travessia submersa do Brasil será concedida em PPP de 30 anos; construtoras nacionais ficam de fora e estrangeiras assumem protagonismo
O governo federal e o estado de São Paulo realizam nesta sexta-feira (5), na sede da B3, em São Paulo, o leilão do Túnel Santos-Guarujá, projeto avaliado em R$ 6,8 bilhões e considerado estratégico para a mobilidade e a logística da Baixada Santista. O certame está marcado para as 16h e será conduzido em modelo de parceria público-privada (PPP) de 30 anos, com apoio do Ministério dos Portos e Aeroportos.
O empreendimento ganhou destaque já em fevereiro, quando o lançamento do edital reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), adversários políticos que se uniram em torno da obra.
Apesar da relevância, grandes construtoras nacionais, como Odebrecht-Álya e Andrade Gutierrez, desistiram da disputa, alegando dificuldades financeiras e de financiamento. Esse movimento abriu espaço para grupos internacionais, como a portuguesa Mota-Engil e a espanhola Acciona, que despontam como favoritas.
A disputa, no entanto, vem acompanhada de polêmicas. O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou 24 falhas no edital, e o Ministério Público junto ao TCU chegou a pedir a suspensão do leilão, levantando suspeitas de favorecimento a empresas estrangeiras.
O projeto prevê a construção de uma ligação submersa com tecnologia de túnel imerso, já aplicada em países como Holanda, Japão e China. A licença ambiental prévia foi concedida pela Cetesb em agosto, viabilizando o avanço do modelo de PPP.
A travessia terá três faixas por sentido, uma delas dedicada ao VLT, além de ciclovia e galeria para pedestres, substituindo a atual balsa utilizada por mais de 21 mil veículos diariamente. A expectativa é reduzir o tempo de viagem de até 1 hora por estrada ou 18 minutos de balsa para apenas 5 minutos.
