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“Juros altos não são bons”, diz novo presidente do Bradesco

Nesta semana, a Febraban, a entidade que reúne os bancos que atuam no Brasil, anunciou uma série de mudanças nas regras que regulam o uso do cheque especial no Brasil – cuja taxa média, em fevereiro, bateu em 324 % ao ano, contra uma taxa básica da Selic de de 6,5 % anuais. A principal delas é a de que as instituições financeiras deverão oferecer, de maneira espontânea, alternativas com taxas menores a quem utilizar pelo menos 15 % de seu limite durante o período de 30 dias. MONEY REPORT ouviu com exclusividade o novo presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Júnior, sobre o tema.

Essas mudanças têm impacto no resultado do Bradesco?

Não há um impacto na rentabilidade do banco. As operações de cheque especial representam menos de 1% da carteira de crédito do banco. A maior importância deste trabalho divulgado pela Febraban é ajudar a dar educação financeira aos clientes que estejam utilizando o cheque especial de uma maneira contumaz, para que eles possam migrar para uma linha com uma taxa menor e prazos mais largos, sem se apertar. O cheque especial é um excelente produto para quem saiba utilizá-lo com parcimônia, por um dia ou dois. Foi feito para ser usado em situações pontuais e não como um complemento de renda. Com isso, o banco ganha e os clientes também.

Dentro do mix do banco, qual é o produto de crédito mais rentável hoje?

É difícil de dizer, pois isso depende do tamanho da carteira, do prazo, do funding e da taxa de juros. Veja o cheque especial: tem uma taxa alta, como apregoam, mas a carteira possui um tamanho pequeno. Isso também depende do momento. Veja o caso do próprio cheque especial: a carteira é pequena, mas tem risco muito grande, pois não há garantia e a inadimplência é alta.

Até o final do ano, espera-se novas rodadas na queda das taxas de juros. Como isso deve impactar na sua operação?

A queda de juros tem impacto no banco e no grupo segurador. Num primeiro momento, pode parecer preocupante, pois diminui a rentabilidade. Isso até pode ser verdade. Mas é importante que essa queda ocorra. Quando os juros diminuem, fazemos mais negócios, a inadimplência cai, as empresas começam a faturar mais, o desemprego melhora, toda a economia passa a funcionar melhor – e aí todo mundo ganha. Taxa de juros alto não é uma coisa boa – nós preferimos uma taxa sustentável ao longo do tempo. Porque não somos o banco de um momento e sim um banco de 75 anos de história.

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