Agência avalia que Selic elevada e maior seletividade dos investidores devem manter custos financeiros altos até 2027
A manutenção dos juros em patamares elevados continuará pressionando as empresas não financeiras brasileiras ao longo de 2027, segundo relatório divulgado pela Moody’s nesta quarta-feira (5). A agência afirma que a combinação de despesas financeiras elevadas, acesso mais restrito ao crédito e maior cautela dos investidores aumenta o risco de refinanciamento, especialmente para companhias com alta alavancagem e liquidez mais frágil.
De acordo com a Moody’s, a Selic, atualmente em 14,25%, segue entre as mais altas do mundo entre as principais economias, mesmo após três cortes promovidos pelo Banco Central (BC) desde fevereiro. A agência avalia que fatores como inflação persistente, gastos fiscais elevados, forte demanda doméstica e o cenário geopolítico internacional devem manter os juros elevados por mais tempo, dificultando o ambiente de financiamento corporativo.
O relatório destaca que cerca de um terço da dívida das empresas brasileiras avaliadas pela agência está atrelada a taxas flutuantes, tornando essas companhias mais sensíveis ao custo do dinheiro. Entre janeiro e julho deste ano, a Moody’s realizou 12 ações negativas de rating sobre empresas brasileiras não financeiras e não reguladas, refletindo o enfraquecimento da qualidade de crédito e o aumento dos riscos de governança e liquidez.
Para a agência, o mercado também vive uma reprecificação global do risco de crédito, o que ampliou a diferença entre empresas mais sólidas e aquelas com estruturas financeiras mais frágeis. Enquanto companhias com baixa alavancagem, liquidez robusta e modelos de negócios resilientes continuam acessando os mercados de capitais, empresas mais endividadas enfrentam custos de refinanciamento significativamente maiores e opções cada vez mais limitadas para captar recursos.
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