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IPCA deve ficar acima do teto da meta pelos próximos meses

Lucas Andrade
12 de junho de 2026
Cenário de piora da inflação desafia cenário para a política monetária

A inflação oficial medida pelo IPCA avançou 0,58% em maio, segundo dados do IBGE, desacelerando em relação a abril (0,67%), mas acumulando alta de 4,72% nos últimos 12 meses – acima do teto da meta, de 4,50%. O resultado foi puxado principalmente pelo grupo de alimentos e bebidas, com destaque para batata-inglesa (+44,69%), tomate (+20,62%) e cebola (+16,80%). A energia elétrica residencial também teve forte impacto, com alta de 3,67%, influenciada por reajustes regionais e pela bandeira tarifária amarela.

Relatório do Bradesco aponta que o número veio acima das expectativas, com surpresa concentrada nos bens monitorados. A queda da gasolina (-1,46%) foi menor que a esperada e a alta da energia elétrica mais intensa. Apesar disso, os bens monitorados desaceleraram no acumulado em 12 meses, passando de 6,1% para 5,8%. Já os serviços subjacentes mostraram acomodação, com alta de 0,4% em maio, e permanecem em 5,2% em 12 meses.

A alimentação no domicílio segue pressionada, com alta de 1,65% em maio e 3,0% em 12 meses, e deve continuar sob influência de fatores de oferta e do risco climático associado a um possível Super El Niño. Por outro lado, bens industriais mostraram desaceleração, com alta de 0,32% no mês e 2,7% em 12 meses, não configurando ameaça relevante para a inflação no ano.

Segundo o Bradesco, a composição do índice sinaliza que a tendência da inflação está em linha com suas projeções, mas o choque do petróleo e a pressão sobre itens monitorados devem manter o IPCA acima do teto da meta nos próximos meses. A expectativa do banco é de que o índice encerre 2026 com alta de 5,0%, reforçando o desafio para a política monetária e para o ambiente de negócios.

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