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Investimento estrangeiro direto recua no Brasil e na América Latina em 2024

Da redação
19 de junho de 2025
Relatório mostra queda de 8% no Brasil e retração de 12% na região; fluxo global segue concentrado em poucos países e Ásia lidera como principal destino

O investimento estrangeiro direto (IED) recuou significativamente na América Latina e no Caribe em 2024, segundo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) divulgado nesta quinta-feira (19). A queda foi de 12% em relação ao ano anterior, impactada principalmente pela redução dos preços da energia, um dos pilares da atratividade para capitais na região.

No Brasil, principal destino de investimentos estrangeiros na América Latina, o recuo foi de 8%, sinalizando um esfriamento no apetite global por aportes em mercados emergentes diante de um cenário econômico internacional instável.

Fluxo desigual entre países em desenvolvimento

A Unctad destacou que o fluxo de IED segue concentrado em poucas economias, e que o comportamento em 2024 foi bastante desigual entre as regiões. Enquanto a Ásia manteve a liderança como maior receptora global, registrando leve queda de 3%, o IED na China recuou pelo segundo ano consecutivo, com retração de 29%. Na Índia, o recuo foi de 2%, apesar do aumento nos anúncios de projetos greenfield (novos investimentos produtivos).

Já na África, os investimentos cresceram expressivamente: 75% a mais, atingindo US$ 97 bilhões, puxados por um único acordo de grande porte entre o Egito e um fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos. Mesmo desconsiderando esse evento isolado, o continente africano registrou avanço de 12%, embora com volume ainda modesto: cerca de US$ 64 bilhões.

Desempenho contrastante em economias desenvolvidas

Entre os países desenvolvidos, o fluxo de IED apresentou queda de 11% na Europa, totalizando US$ 198 bilhões, enquanto os Estados Unidos e Canadá registraram crescimento de 23%, impulsionados por grandes operações de fusões e aquisições.

O relatório da Unctad reforça que os fluxos de capital seguem vulneráveis a fatores como volatilidade geopolítica, incertezas regulatórias e condições macroeconômicas globais, e que a recuperação do IED dependerá da estabilidade nos mercados internacionais e do fortalecimento de políticas que promovam segurança para investidores.

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