Alta foi puxada por energia, hospedagem e passagens, enquanto alimentos e eletrodomésticos recuaram; IPCA acumula 3,92% no ano e 4,46% em 12 meses.
A inflação oficial acelerou para 0,18% em novembro, após alta de 0,09% em outubro, segundo o IPCA divulgado nesta quarta-feira (10) pelo IBGE. Mesmo acima do mês anterior, o resultado ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, que projetavam 0,20%.
No acumulado de 2025, o índice avança 3,92%. Em 12 meses, chega a 4,46%, voltando ao intervalo de tolerância do Banco Central — cuja meta é de 3%, com teto de 4,5%.
O dado também representa a menor inflação para novembro desde 2018.
Energia elétrica, hospedagem e passagens puxam alta
Cinco dos nove grupos pesquisados subiram no mês, com destaque para:
- Despesas pessoais (0,77%)
— impulsionado por hospedagem, que avançou 4,09% após o impacto da COP-30 em Belém, onde o item chegou a 178,93%. - Habitação (0,52%)
— a energia elétrica residencial subiu 1,27%, influenciada por reajustes em diversas capitais.
— tarifas de água e esgoto também subiram, especialmente em Fortaleza (+9,75%).
— o gás encanado recuou no Rio de Janeiro.
Principais reajustes de energia elétrica:
- Goiânia: +19,56%
- Brasília: +11,21%
- São Paulo: +16,05% (uma das concessionárias)
- Porto Alegre: +21,95%
A energia segue sendo o item de maior peso no IPCA do ano:
- +15,08% em 2025, impacto de 0,58 p.p.
- +11,41% em 12 meses, impacto de 0,46 p.p.
Transportes aliviam pressão com gratuidades no Enem
O grupo Transportes (0,22%) teve efeito misto. As passagens aéreas, pressionando para cima, dividem espaço com quedas em transporte público devido às gratuidades aplicadas em feriados e nos dias de prova do Enem:
- Ônibus urbano: –0,76%
- Metrô e trem em São Paulo: –6,73%
- Integração: –4,51%
Eletrodomésticos, higiene e alimentos caem
Entre os grupos que recuaram:
- Artigos de residência (–1,00%)
— quedas fortes em eletrodomésticos (–2,44%) e TVs, som e informática (–2,28%). - Saúde e cuidados pessoais (–0,04%)
— higiene pessoal caiu 1,07%. - Alimentação e bebidas (–0,01%)
— alimentação no domicílio caiu pelo sexto mês seguido (–0,20%), com destaque para:- Tomate: –10,38%
- Leite longa vida: –4,98%
- Arroz: –2,86%
— por outro lado, óleo de soja (+2,95%) e carnes (+1,05%) subiram.
— alimentação fora do lar desacelerou para 0,46%.
