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Inadimplência no agro sobe e atinge 8,3% no 3º tri de 2025

Da redação
19 de janeiro de 2026
Margens pressionadas, custos elevados e crédito mais seletivo seguem pesando sobre produtores rurais

A inadimplência no agronegócio alcançou 8,3% da população rural brasileira no terceiro trimestre de 2025, segundo levantamento da Serasa Experian. O índice representa um aumento de 0,9 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024. Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, a alta foi mais moderada, de 0,2 ponto percentual.

A série histórica indica avanço gradual da inadimplência entre pessoas físicas no campo desde o terceiro trimestre de 2024, quando o índice era de 7,4%. Para a Serasa Experian, o movimento reflete um ambiente ainda desafiador para o produtor rural, marcado por custos elevados, preços voláteis e maior seletividade na concessão de crédito.

“A inadimplência segue avançando de forma gradual e, mesmo com alguma estabilização em partes do setor, muitos produtores continuam operando com margens apertadas e fluxo de caixa pressionado”, afirmou Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian.

O levantamento mostra diferenças relevantes conforme o perfil do produtor. Aqueles sem informação de registro rural apresentaram a maior taxa de inadimplência, de 10,8%. Entre os produtores registrados, os grandes proprietários tiveram índice de 9,6%, os médios 8,1% e os pequenos 7,8%.

Por tipo de credor, a inadimplência está concentrada principalmente em dívidas com instituições financeiras, que atingiram 7,3% no período analisado. Débitos com credores do próprio setor agro responderam por 0,3%, enquanto outros setores ligados ao campo somaram 0,2%. Entre os inadimplentes, a dívida média com bancos foi de R$ 100,5 mil, enquanto no próprio setor agro chegou a R$ 130,3 mil.

A análise etária aponta que produtores mais jovens enfrentam maior dificuldade: a faixa entre 30 e 39 anos registrou inadimplência de 12,7%. Já os produtores com 80 anos ou mais apresentaram a menor taxa, com queda progressiva dos índices a partir dos 40 anos.

No recorte regional, o Sul teve o melhor desempenho, com inadimplência de 5,5%, seguido pelo Sudeste (7%). Centro-Oeste (9,4%), Nordeste (9,7%) e Norte (12,4%) aparecem com índices mais elevados. Entre os estados, o Rio Grande do Sul registrou a menor taxa, de 5,1%, enquanto o Amapá apresentou o maior percentual, de 19,8%.

O estudo também mostrou deterioração do AgroScore, indicador de crédito do setor. A pontuação média dos produtores rurais caiu de 644 pontos no terceiro trimestre de 2024 para 603 pontos no mesmo período de 2025, sinalizando um ambiente de crédito mais cauteloso no campo.

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