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Haddad defende renda básica, jornada menor e cautela para 2026

Da redação
6 de fevereiro de 2026
Ministro também critica gestão fiscal anterior, destaca reforma tributária e afirma que debate econômico seguirá no centro da agenda política

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (6), durante evento pelos 46 anos do PT em Salvador (BA), que o Brasil precisa aprofundar o debate sobre a adoção de uma renda básica universal, revisar a jornada de trabalho diante do avanço tecnológico e manter a agenda fiscal como prioridade nos próximos anos. Ele também disse que definirá “com calma” seu papel nas eleições de 2026 e voltou a criticar a condução das contas públicas no governo anterior.

Renda básica e programas sociais

Segundo Haddad, a discussão sobre renda básica universal — proposta historicamente defendida pelo deputado estadual Eduardo Suplicy — pode simplificar a política social brasileira. Para o ministro, a multiplicidade de programas de transferência de renda exige hoje uma estrutura administrativa complexa, o que justificaria avaliar modelos mais unificados e eficientes.

Ele acrescentou que o tema já ultrapassa divisões ideológicas tradicionais, ganhando espaço tanto em setores progressistas quanto conservadores.

Jornada de trabalho e tecnologia

Haddad também voltou a defender a revisão da jornada de trabalho no país. Na avaliação dele, a automação, a inteligência artificial e o aumento da produtividade global abrem espaço para repensar o tempo dedicado ao trabalho sem necessariamente reduzir renda.

O ministro afirmou que discussões desse tipo devem se intensificar mundialmente, inclusive com propostas legislativas já em debate no Congresso sobre novos formatos de jornada.

Reforma tributária e agenda econômica

Sobre a economia, Haddad destacou que a reforma tributária recém-aprovada pode trazer benefícios para diferentes regiões, incluindo a Amazônia, ao buscar equilíbrio entre crescimento econômico, justiça fiscal e preservação ambiental.

Ele também mencionou discussões recentes envolvendo tributação — como IOF, taxação de grandes fortunas, setor bancário e casas de apostas — e reforçou que o tema fiscal continuará no centro do debate político.

Eleições de 2026

Questionado sobre o cenário eleitoral, Haddad afirmou que tem uma conversa marcada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir seu papel em 2026. Apesar de setores do PT defenderem sua candidatura ao governo de São Paulo ou ao Senado, o ministro indicou cautela.

Segundo ele, decisões políticas desse tipo devem ocorrer “com calma, tranquilidade e sem forçar”. Haddad reiterou que pretende contribuir para o projeto de reeleição de Lula, independentemente da posição que venha a ocupar.

Críticas ao governo anterior

Durante o evento, o ministro voltou a criticar a condução fiscal do governo Jair Bolsonaro. Haddad afirmou que o superavit primário registrado em 2022 foi artificial e que o governo Lula herdou um orçamento deficitário para 2023, incluindo despesas atrasadas, como precatórios e compensações a estados pela redução do ICMS sobre combustíveis.

Ele também criticou políticas de contenção salarial e sociais adotadas anteriormente, argumentando que parte do desequilíbrio fiscal posterior está relacionada a passivos acumulados nesse período.

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