Ministro da Fazenda reforçou que respeita a autonomia do Banco Central, mas defendeu que o atual patamar dos juros prejudica a atividade econômica
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (7) que a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, encontra-se em um patamar “excessivamente restritivo” para a atividade econômica. A declaração, feita em evento em Brasília, foi acompanhada de uma ressalva: segundo ele, a observação não deve ser interpretada como uma crítica direta ao Banco Central (BC).
“O Banco Central tem autonomia. Ele ouve muita gente — mercado, bancos, empresários, setor produtivo, setor financeiro, governo. Tenho dito que, na minha opinião, a taxa de juros está excessivamente restritiva. Não é desrespeito ao Banco Central. Tenho respeito institucional, independentemente de quem seja o presidente”, disse Haddad.
Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, nível considerado alto por integrantes do governo e parte do mercado financeiro, que veem espaço para cortes mais agressivos diante do cenário de desaceleração econômica.
Haddad destacou ainda que a função do Ministério da Fazenda não é interferir nas decisões da autoridade monetária, mas contribuir com informações que ajudem o BC em sua análise. “Estamos fazendo nosso trabalho, e a decisão é deles. Nosso papel é incrementar o fluxo de informações para que as decisões sejam as mais técnicas possíveis. Mas a decisão é do Banco Central”, afirmou.
O ministro também ressaltou que não está sozinho nessa avaliação. “Há muitas pessoas no mercado financeiro que concordam com a opinião de que a Selic está alta”, completou.
