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Guerra no Oriente Médio leva OCDE a cortar projeções e acende alerta para recessão global

Da redação
3 de junho de 2026
Organização reduz expectativa de crescimento para 2026, prevê inflação mais alta e alerta para impactos duradouros do conflito sobre energia, alimentos e cadeias produtivas

A escalada da guerra no Oriente Médio levou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a revisar para baixo suas projeções para a economia global em 2026. Em relatório divulgado nesta quarta-feira (3), a entidade alertou que o conflito tem pressionado os preços da energia e dos fertilizantes, elevando a inflação e ampliando os riscos de desaceleração econômica em diversas regiões do mundo.

Batizado de Sob Pressão, o documento apresenta dois cenários para os próximos anos, ambos condicionados à evolução da crise envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. No cenário considerado mais provável, em que as interrupções nas cadeias globais sejam limitadas, o crescimento mundial desaceleraria para 2,8% em 2026, abaixo dos 2,9% projetados pela organização em março. Caso as turbulências persistam até 2027, a expansão da economia global poderá cair para apenas 2,1%.

“O choque energético decorrente do conflito no Oriente Médio é real e grave. Está gerando um aumento dos custos e da incerteza para famílias e empresas em todo o mundo”, afirmou o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann.

O principal fator de preocupação é o impacto da guerra sobre o mercado de energia. O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo e gás, elevou os custos de produção e transporte em diversos setores, ampliando a pressão sobre a inflação mundial.

Segundo o economista-chefe da OCDE, Stefano Scarpetta, a economia global volta a enfrentar um ambiente de forte instabilidade.

“A economia mundial está novamente sob pressão”, afirmou. Ele alertou que algumas economias poderão entrar em recessão caso as perturbações se prolonguem.

Efeitos podem durar além do fim da guerra

Embora exista a expectativa de uma solução diplomática para o conflito, a OCDE avalia que os efeitos econômicos devem se estender por vários anos, mesmo após um eventual cessar-fogo.

O relatório destaca que a reconstrução de infraestrutura danificada, a reorganização das rotas comerciais e os impactos sobre as cadeias globais de suprimentos continuarão afetando a atividade econômica.

As economias asiáticas aparecem entre as mais vulneráveis devido à forte dependência de importações energéticas oriundas do Oriente Médio. Países em desenvolvimento e nações produtoras de petróleo do Golfo também enfrentam riscos significativos.

Ainda assim, a OCDE ressalta que os impactos serão sentidos em escala global.

“Devido às interconexões das cadeias de suprimentos e à integração dos mercados energéticos, os efeitos serão percebidos em todas as regiões”, aponta o documento.

Brasil tem projeção ligeiramente melhor

Apesar do cenário de maior cautela, a OCDE revisou para cima a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026. A projeção passou de 1,5% para 1,6%.

A Argentina teve sua previsão mantida em 2,8%, enquanto o México sofreu uma revisão negativa, com crescimento estimado em 1,3%, meio ponto percentual abaixo da projeção anterior.

Nos Estados Unidos, a OCDE prevê expansão de 2% em 2026, enquanto a China deve crescer 4,5%. A Índia continua como uma das economias mais dinâmicas do mundo, com avanço estimado em 6,3%.

Na zona do euro, a expectativa é de crescimento de apenas 0,8%, com destaque para a Espanha, que deve registrar expansão de 2,2%, acima da Alemanha e da França, ambas projetadas em 0,7%.

Inflação volta ao radar

Além da desaceleração econômica, a organização prevê uma nova aceleração da inflação global.

A estimativa é que o índice médio anual dos países do G20 suba de 3,4% em 2025 para 4% em 2026, antes de recuar para 3,1% em 2027, à medida que os preços da energia e dos alimentos se estabilizem.

Diante desse cenário, a OCDE recomenda cautela aos governos na adoção de medidas de apoio econômico e defende que eventuais programas de subsídios sejam temporários e direcionados, para evitar um aumento excessivo da dívida pública.

A entidade também reforça a necessidade de diversificação das matrizes energéticas e redução da dependência global dos hidrocarbonetos do Oriente Médio.

Entre as alternativas apontadas estão a ampliação das fontes renováveis e investimentos em energia nuclear, incluindo pequenos reatores modulares.

O relatório ainda alerta que uma prolongada interrupção no fornecimento de energia e fertilizantes pode afetar não apenas a produção agrícola e os preços dos alimentos, mas também setores estratégicos da nova economia, como a inteligência artificial, cuja expansão depende de grande disponibilidade energética.

Com a guerra ainda sem solução definitiva, a OCDE conclui que o crescimento global seguirá condicionado à evolução do conflito e à capacidade das economias de absorver mais um choque sobre energia, comércio e inflação.

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