Alta dos combustíveis respondeu por mais de 40% do avanço do CPI em abril; inflação acumulada em 12 meses chegou a 3,8%, maior patamar desde maio de 2023
A inflação nos Estados Unidos voltou a acelerar em abril, impulsionada principalmente pela disparada nos preços da gasolina e da energia. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,6% no mês, após avanço de 0,9% em março, segundo dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo Departamento do Trabalho americano.
No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 3,8%, acima das projeções do mercado e no maior nível desde maio de 2023. O movimento reforça a percepção de que o Federal Reserve (Fed) deve manter os juros elevados por mais tempo diante da persistência das pressões inflacionárias.
O principal vetor da alta foi o setor de energia, que avançou 3,8% em abril e respondeu por mais de 40% do aumento mensal do índice cheio. A gasolina teve alta de 5,4% no período, enquanto o óleo combustível subiu 5,8%. Em 12 meses, os preços de energia acumulam avanço de 17,9%, o maior salto entre os principais grupos do CPI.
O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia e é acompanhado de perto pelo Fed, avançou 0,4% em abril e acumula alta de 2,8% em 12 meses, maior patamar desde setembro do ano passado. O resultado também veio acima das expectativas dos analistas.
Na avaliação de Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, os dados mostram que a inflação já não está concentrada apenas na energia e começa a se espalhar por diferentes categorias da economia americana. Segundo ele, o choque nos combustíveis gera efeitos indiretos sobre outros setores, pressionando serviços e bens sensíveis a tarifas. “A aceleração da taxa anual e a persistência do núcleo acima dos 2,5% reforçam a tese de que o timing para o início do corte de juros pode ser adiado”, afirma. Para o especialista, o cenário aumenta a probabilidade de manutenção das condições monetárias restritivas por mais tempo nos EUA.
Os preços de moradia subiram 0,6% no mês, enquanto os alimentos avançaram 0,5%. Dentro do grupo alimentício, carnes, aves, peixes e ovos tiveram alta de 1,3%, e frutas e vegetais avançaram 1,8%.
A nova rodada de pressão inflacionária ocorre em meio à valorização do petróleo no mercado internacional, influenciada pelo agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O impacto nos combustíveis já começa a contaminar outros segmentos da economia americana, aumentando a cautela do banco central dos EUA.
Com o dado acima do esperado, investidores ampliaram as apostas de manutenção dos juros na faixa entre 3,50% e 3,75% nas próximas reuniões do Fed. O mercado passou a enxergar um ciclo mais longo de juros elevados, reduzindo as expectativas de cortes no curto prazo.
Os preços de moradia também contribuíram para o resultado, com alta de 0,6% no mês. Já os alimentos subiram 0,5%, com destaque para carnes, aves, peixes e ovos, que avançaram 1,3%, além de frutas e vegetais, com alta de 1,8%.
