Para 2026, expectativa é de desaceleração da economia brasileira, enquanto cenário externo e dívida pública seguem como principais fontes de preocupação
O Fundo Monetário Internacional manteve inalteradas as previsões de crescimento para a economia brasileira em seu novo relatório Perspectivas da Economia Mundial, divulgado nesta terça-feira (29). A projeção é de um avanço de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2025, com desaceleração para 2,1% no ano seguinte.
Os números confirmam o que já havia sido apontado pelo Fundo em meados de julho, durante a divulgação da consulta do artigo IV. Na ocasião, o FMI alertou que a economia brasileira deve perder fôlego após ter crescido 3,4% em 2024, em parte devido à política monetária mais apertada e à persistente instabilidade externa.
Na atualização do relatório global, o Fundo também revisou para cima sua estimativa de crescimento da economia mundial em 2025. A nova projeção é de 3%, uma alta de 0,2 ponto percentual em relação às previsões feitas em abril. A América Latina e o Caribe acompanham essa tendência, com crescimento estimado em 2,2%, ante 2% anteriormente.
Apesar da melhora nos dados agregados, o FMI alertou que os riscos seguem inclinados para o lado negativo. A entidade destacou que as tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio e na Ucrânia, bem como a possibilidade de novas medidas protecionistas no comércio internacional, podem comprometer a recuperação global.
O relatório também menciona o impacto limitado das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros, classificando-o como moderado para o crescimento do país. Em entrevista recente, o diretor-executivo do Brasil no FMI, André Roncaglia, disse que as simulações internas do Fundo apontam efeitos marginais no PIB, mas reforçou a necessidade de um ajuste fiscal mais robusto do que o que vem sendo proposto pelo governo.
Em relação às finanças públicas, o FMI chamou atenção para a vulnerabilidade de países com alto endividamento, como o Brasil. De acordo com o Fundo, a persistência de incertezas externas pode agravar os desafios fiscais e afetar negativamente os mercados financeiros e a atividade econômica.
As projeções do FMI estão em linha com as do mercado local. Segundo o boletim Focus, divulgado na segunda-feira pelo Banco Central, os analistas mantiveram a estimativa de crescimento do PIB brasileiro em 2,23% para este ano. Já para 2026, o mercado prevê uma alta de 1,89%, abaixo dos 2,1% projetados pelo Fundo.
