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Exame: cinco visões do mercado sobre a decisão do Copom

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) seguiu o que já era esperado pelo mercado e aumentou na quarta-feira, 16, a taxa básica de juros da economia, a Selic. O salto foi de 0,75 ponto percentual, de 3,5% para 4,25% ao ano.

A terceira alta consecutiva da Selic não surpreendeu, mas trouxe algumas novidades. A primeira delas é que o Copom abandonou a indicação de uma “normalização parcial” da taxa de juros, sinalizada no último comunicado, e apontou para uma busca pela taxa neutra de juros, que seria, na opinião do BC, em torno de 6,5%. A taxa neutra de juros garante um padrão que não estimula nem desestimula a economia, mantendo a inflação estável em torno da meta.

Outro ponto destacado por analistas é que o Copom não cravou qual será o aumento percentual da próxima reunião, deixando o caminho aberto para uma alta mais forte já no próximo encontro, que acontece nos dias 4 e 5 de agosto.

A aceleração do ritmo de altas pode ser impulsionada caso a inflação continue a aumentar. A projeção do BC para o IPCA, índice referência para o aumento de preços, já passou de 3,4% para 3,5%, percentual que é o centro da meta.

Analistas se dividem entre previsões de um novo aumento de 0,75 ponto percentual (p.p.) ou uma alta já de 1 p.p. para a próxima reunião. A Exame Invest reuniu cinco análises que ajudam a traçar um panorama do que a mudança representa:

Goldman Sachs

Para Alberto Ramos, chefe de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, o Copom se mostrou atento aos dados e à evolução desfavorável do equilíbrio dos riscos para a inflação e, como consequência, assumiu uma postura “visivelmente mais hawkish”, ou seja, favorável a juros mais altos.

“Endurecendo a linguagem e adotando uma sinalização direta – incluindo a possibilidade de alta superior a 75 p.p. na reunião de agosto – o Copom tem uma chance muito maior de ancorar as expectativas de inflação e de não ter que ir além da neutralidade”, afirma Ramos, em relatório. O banco espera uma alta de 0,75 p.p. para a próxima reunião.

Órama

O economista-chefe da Órama, Alexandre Espírito Santo, também reforça que a decisão foi acertada e que o mercado deve enxergar com bons olhos a “atuação firme” da autoridade monetária.

“Acreditamos que essa deliberação foi bastante adequada, especialmente num momento em que a inflação corrente está em alta. Ademais, as projeções para a inflação de 2022 estão crescentes e temos alguns desafios à frente, como a muito provável crise hídrica, que tende a elevar os preços da energia, o que pode agravar o quadro [de inflação]”, diz, em nota.

BTG Pactual

Já Álvaro Frasson, economista do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da Exame), esperava uma postura mais assertiva do Comitê. “O comunicado foi hawkish mas, na minha avaliação, deixou a desejar ao não se comprometer com uma magnitude de alta para a próxima reunião”. Em entrevista à Exame Invest, Frasson argumenta que a abertura pode trazer maior volatilidade para o mercado.

“Outro ponto que poderia ter sido um pouco melhor ajustado é a indicação de que o Copom vai perseguir o juro neutro. O Comitê poderia simplesmente ter indicado uma normalização ou um ciclo de alta para controlar a inflação. Isso porque a expectativa de inflação tende a piorar até a próxima reunião, e talvez não seja recomendável adotar uma taxa acima do juro neutro para controlar essa inflação mais elevada”, comenta. A expectativa do banco é de elevação de 0,75 p.p. para a próxima reunião.

Necton

André Perfeito, economista da Necton, acredita que a alta da próxima reunião já será maior que a desta quarta-feira. “A leitura preliminar do comunicado sugere que há espaço para uma alta de 100 pontos-base na próxima reunião, apesar do colegiado do BC ter apontado, inicialmente, para uma alta de igual magnitude que a atual”, afirma.

Segundo o analista, a decisão reforça a projeção de Selic da casa em 6,5% ao ano até o final de 2021. O movimento tem sido positivo para o câmbio, com o dólar perdendo força frente ao real à medida que as taxas mais altas atraem o capital estrangeiro.

Perfeito alerta, porém, que há riscos no cenário. “Deveremos ver no meio do segundo semestre alguma correção nos juros de 10 anos nos EUA [indicativo da inflação no país] e isso pode exigir mais prêmio de economias como a brasileira. A curva de juros já está bastante inclinada – já esteve mais, é verdade – e isto é um sinal perigoso”.

Toro

E qual o impacto para os investimentos? Na visão da analista Paloma Brum, da Toro, o cenário positivo continua na bolsa. “A mudança não tende a impactar o desempenho dos ativos de renda variável, uma vez que os juros reais (descontando-se a inflação esperada para o período) continuarão trafegando numa trajetória negativa ou ainda muito pressionados, o que favorece o aumento da demanda por aplicações que potencializem a rentabilidade do capital dos investidores”, afirmou, em nota.

Por Beatriz Quesada

Publicado originalmente em https://invest.exame.com/me/5-visoes-do-mercado-sobre-a-decisao-do-copom

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