Encontro sobre agronegócio em São Paulo reforça alinhamento oposicionista e debate sobre ajuste fiscal e reformas estruturais
Em um evento promovido pelo BTG Pactual nesta quarta-feira (13), em São Paulo, governadores de São Paulo, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul receberam aplausos ao criticar o governo Lula e defender pautas econômicas e políticas alinhadas à oposição. A reunião, focada no agronegócio, foi conduzida pelo banqueiro André Esteves, que apresentou os governadores como líderes respeitados e protagonistas do cenário eleitoral para 2026. O economista-chefe do banco, Mansueto Almeida, também elogiou o grupo, reforçando sua experiência e histórico de gestão.
O tom das falas foi marcado por críticas ao que consideram instabilidade econômica e política no país, atribuída ao governo federal. As principais queixas envolveram aumento de gastos, medidas populistas e divisões internas. Para os governadores, o caminho para crescimento e justiça social passa por contenção de despesas, reformas estruturais e maior autonomia dos estados.
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, destacou a privatização da Sabesp e mudanças tributárias em seu estado como exemplos de gestão eficiente. Em discurso, afirmou que “o Brasil não aguenta mais excesso de gasto, aumento de imposto, corrupção e o PT”, recebendo aplausos. Para ele, o país perde oportunidades estratégicas por se concentrar em “discussões pequenas” e precisa avançar com concessões e cortes.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, adotou a fala mais dura contra Lula, acusando o presidente de praticar uma “política irresponsável” e de dividir a população. Em tom irônico, disse que “o Brasil é enorme, mas tem um anão na Presidência”. Caiado também associou dificuldades fiscais dos estados a atritos diplomáticos, citando as tarifas de 50% impostas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros.
Já Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, manteve um tom mais moderado, mas também fez críticas indiretas. Ele defendeu que ajuste fiscal não é incompatível com políticas sociais e apresentou programas estaduais que conciliam cortes de gastos com apoio à população, como incentivos para que jovens permaneçam na escola. O governador ainda defendeu mudanças no Supremo, no modelo de emendas parlamentares e ajustes permanentes na Previdência.
Ratinho Júnior, do Paraná, seguiu a linha de elogios à atual geração de governadores, classificando-a como “a melhor dos últimos 30 anos”. Ele defendeu a industrialização do agronegócio e criticou a “falta de capacidade diplomática e de planejamento” que, em sua visão, impede o Brasil de se consolidar como alternativa à China na indústria global.
O evento evidenciou não apenas a convergência de ideias entre os governadores, mas também a disposição de se posicionarem como liderança política nacional para o próximo ciclo eleitoral, unindo discurso econômico liberal a críticas contundentes ao governo Lula.
