Os Estados Unidos avançaram em uma medida que pode impactar diretamente o comércio exterior brasileiro. O Escritório do Representante de Comércio (USTR) concluiu investigação aberta em 2025 por determinação do presidente Donald Trump e propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. A medida abre consulta pública antes da decisão final e pode redefinir o fluxo de exportações brasileiras para o mercado americano.
O relatório acusa o governo brasileiro de práticas “irrazoáveis” que restringem o comércio dos EUA. Entre os pontos mais críticos estão o funcionamento do Pix, acordos tarifários com México e Índia, falhas no combate ao desmatamento, ausência de reciprocidade no mercado de etanol, lentidão na análise de patentes e insuficiência de medidas contra corrupção. Também há críticas a decisões judiciais brasileiras que teriam afetado empresas de tecnologia americanas.
Segundo o jornal O Globo, as negociações bilaterais entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva não avançaram o suficiente para evitar o tarifaço. Apesar de encontros recentes e do tom positivo em comunicados oficiais, divergências substanciais permaneceram. O prazo legal para aplicação das tarifas termina em julho de 2026.
O que deve ser poupado no novo tarifaço
Apesar da proposta ampla, o USTR apresentou uma lista de exceções com 73 páginas que preserva parte relevante das exportações brasileiras. Entre os itens isentos estão café, determinadas carnes, frutas, chá, cereais, sementes, minerais e terras raras. Também ficam fora da cobrança aeronaves e peças aeronáuticas, além de produtos químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes. Materiais informativos e doações também foram incluídos na lista de isenções.
A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento usado pelos EUA para apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais e autorizar medidas corretivas. O embaixador e Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que o diálogo com o Brasil se intensificou, mas sem eliminar divergências.
O relatório final distribui críticas em seis áreas principais: comércio digital, serviços de pagamento, acordos tarifários, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e combate à corrupção. O documento cita ainda a anulação de processos da Lava Jato pelo STF em 2023 e a queda do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional.
A medida marca um novo capítulo nas tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, pode impactar setores estratégicos e abrir espaço para reconfiguração das relações econômicas bilaterais.
