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Déficit com EUA supera queda com a China

Da redação
18 de dezembro de 2025
Balança comercial de novembro registrou um superávit de US$ 5,8 bilhões. Exportações aumentaram em 2,4% e as importações em 7,4%

As tarifas recíprocas impostas por Donald Trump em abril, seguidas do tarifaço de 40% sobre importações brasileiras a partir de agosto, geraram incertezas na balança comercial do Brasil. Apesar da queda nas exportações para os Estados Unidos, o desempenho global foi positivo, compensado por aumentos para outros mercados, especialmente a China. A partir de novembro, um degelo nas relações bilaterais trouxe alívio: em 14 de novembro, os EUA isentaram tarifas de 10% sobre 238 produtos agrícolas; em 20 de novembro, removeram o tarifaço de 40% de 269 itens, majoritariamente agropecuários, com efeitos visíveis só em dezembro/janeiro. A análise faz parte do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) da Fundação Getúlio Vargas Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre) desta quinta-feira (18).

O tarifaço impactou as exportações brasileiras para os EUA, mas o principal vilão do déficit comercial foi o aumento generalizado das importações em todos os mercados. O rombo com os Estados Unidos cresceu tanto que superou a redução do superávit com a China, alterando o saldo geral da balança.

Em novembro, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 5,8 bilhões, com exportações subindo 2,4% e importações 7,4% em valor. No acumulado até o mês, o saldo caiu para US$ 57,8 bilhões, recuo de US$ 11,7 bilhões ante 2024, puxado por importações em alta (+7,2%) contra exportações +1,8%. A projeção para o ano fica entre US$ 61 e 65 bilhões. Volumes cresceram 4,6% nas exportações e 4,5% nas importações em novembro, com preços em queda geral, exceto importações (+2,8%). Termos de troca recuaram 1,9% ante 2024, mas seguem estáveis.

Déficit com EUA impulsiona piora, China compensa perdas

O rombo com os EUA saltou de US$ 800 milhões para US$ 7,9 bilhões no acumulado, superando a queda no superávit chinês (de US$ 30,7 bi para US$ 27,4 bi), enquanto Argentina elevou o seu para US$ 5,2 bi. Petróleo e derivados lideram, com superávit de US$ 27 bi (46,7% do total, ante 38,6% em 2024), graças a importações em queda (-10,9%). Não commodities crescem mais (6,8%) que commodities (3,1%), com agropecuária (+2,3%), extrativa (+4,6%) e indústria (+5,3%) no ano. China acelerou exportações (+10,4% acumulado, +42,8% em novembro), compensando quedas para EUA (-7% acumulado, -28% em novembro) pós-tarifaço de Trump, suspenso em novembro para agropecuários. Setores como pesca e madeira sofrem sem plena recuperação, mas commodities como soja (+64,6% em novembro) e carne bovina resistem.

Efeito Trump: China salva o dia, mas incertezas persistem

Argentina liderou volumes iniciais (+38%), mas desacelerou; EUA caíram pós-agosto (-25,1% jan-nov vs. 2024); China explodiu (+28,6% pós-tarifaço). Importações lideram EUA (+19,2% nov) e China (+17,2% ano). Produtos top: soja, petróleo e minério variam, com café e carne bovina brilhando apesar de tarifas. Suspensão beneficia agro, mas manufaturas seguem vulneráveis nos EUA e Argentina. Trump recuou em itens essenciais, mas negociações por concessões mantêm o cenário imprevisível.

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