Modelo de cozinhas voltadas exclusivamente para entregas pode elevar margem de lucro em até 20% em regiões de alta demanda
O retorno das operações da 99Food ao mercado brasileiro, com foco inicial em São Paulo, tem acirrado a concorrência no setor de delivery e reforçado a busca por modelos mais eficientes de operação. Segundo a empresa, os resultados registrados na capital paulista ficaram acima do esperado logo nas primeiras semanas de atuação.
Em agosto, na retomada em São Paulo, a plataforma alcançou cerca de 20 mil restaurantes cadastrados, considerando a capital e outras regiões metropolitanas. Do investimento de R$ 1 bilhão anunciado para o relançamento no país, aproximadamente R$ 500 milhões já foram direcionados ao estado.
Antes disso, um projeto-piloto realizado em Goiânia havia sinalizado o potencial da operação: em 45 dias, foram registrados mais de 1 milhão de pedidos, segundo a empresa. Em São Paulo, a estratégia incluiu tarifas reduzidas e ofertas para atrair tanto consumidores quanto estabelecimentos parceiros.
A intensificação da competição no delivery tem ampliado a demanda por dark kitchens, cozinhas dedicadas exclusivamente ao atendimento de pedidos online, sem salão ou atendimento presencial. De acordo com dados do setor, esse modelo pode gerar margem de lucro até 20% superior à de restaurantes tradicionais, principalmente em bairros com alta densidade de pedidos e exigência logística.
Levantamento da Kitchen Central, empresa especializada nesse tipo de operação, aponta regiões como Itaim Bibi, Pinheiros, Vila Madalena, Vila Leopoldina, Moema e Jardim Paulista entre os bairros com maior volume de pedidos em São Paulo. A combinação de fluxo corporativo, perfil residencial de maior renda e infraestrutura logística favorece a adoção do modelo.
Dados da Nexus indicam que 52% da população paulista utiliza serviços de delivery, percentual que sobe para 75% entre jovens de 16 a 24 anos. Além disso, quase um terço dos consumidores faz pedidos duas a três vezes por semana, o que reforça a pressão por eficiência operacional.
Segundo especialistas do setor, as dark kitchens se destacam por exigirem menor investimento inicial, reduzirem custos fixos e permitirem maior agilidade na adaptação de cardápios e marcas. A concentração de múltiplas operações em um mesmo endereço também otimiza rotas de entrega e melhora o tempo de resposta ao consumidor.
Projeção da Coherent Market Insights estima que o mercado global de dark kitchens deve movimentar US$ 157 bilhões até 2030, impulsionado pela consolidação do delivery nos hábitos de consumo e pela expansão das plataformas digitais.
