Maioria dos líderes prevê que riscos relacionados à água superarão outras ameaças, mas execução de estratégias ainda é limitada
Pesquisa da Schneider Electric nos Estados Unidos indica que a escassez e o uso ineficiente da água se tornaram uma das maiores preocupações do país. O levantamento mostra que 75% dos líderes municipais e mais da metade dos executivos empresariais acreditam que os riscos hídricos vão superar outras ameaças à infraestrutura nos próximos anos. Ainda assim, cerca de 50% afirmam não confiar na capacidade dos sistemas atuais de atender às demandas futuras.
O estudo destaca que o setor manufatureiro americano, responsável por mais de 75% do consumo de água em 60 condados, tende a aumentar a demanda com a expansão industrial e a digitalização. Além disso, os sistemas de distribuição de água enfrentam envelhecimento e sobrecarga. Atualmente, 20% da água tratada é perdida por vazamentos, o equivalente a 7 bilhões de galões por dia, e ocorrem cerca de 260 mil rompimentos de adutoras por ano, gerando prejuízos bilionários para concessionárias e governos locais.
Estratégias não saem do papel
Mesmo com a preocupação crescente, a execução de estratégias hídricas segue lenta. Nove em cada dez líderes municipais e seis em cada dez executivos dizem ter planos para enfrentar o problema, mas apenas uma minoria consegue implementá-los integralmente. As principais barreiras citadas são restrições orçamentárias, falta de dados em tempo real e preocupações com cibersegurança.
A pesquisa também revela divergências de prioridades. Enquanto prefeitos classificam a gestão da água como prioridade intermediária, empresas ainda direcionam esforços principalmente à redução de custos e ao uso de inteligência artificial.
Tecnologia oferece soluções, mas enfrenta obstáculos
Ferramentas como sistemas de detecção de vazamentos e gêmeos digitais mostram resultados promissores, com economia média de 5% a 10% para quase metade dos governos locais e 40% das empresas. Modelos de gestão baseados em inteligência artificial podem identificar até 60% da água não contabilizada e destiná-la ao reuso.
Apesar dos avanços, a modernização da infraestrutura ainda encontra dificuldades. Além dos custos e da complexidade operacional, gestores públicos apontam lacunas de conhecimento técnico e o setor privado enfrenta prioridades conflitantes que limitam investimentos.
Estudos apontam necessidade de ação imediata
A pesquisa ouviu 201 líderes americanos, entre autoridades municipais e executivos de grandes empresas, e foi realizada em agosto de 2025. O consenso é que a falta de ação imediata pode colocar em risco a economia e a resiliência urbana do país. A conclusão é clara: a modernização dos sistemas de água, aliada à adoção de tecnologias inteligentes, será essencial para enfrentar a crise hídrica que já ameaça a infraestrutura dos Estados Unidos.
