Bradesco prevê alta de apenas 1,6% nas vendas do setor em 2025, diante de sinais de desacelerações da confiança e da demanda interna
O varejo brasileiro deve perder fôlego em 2025. Relatório divulgado pelo Bradesco nesta terça-feira (16) aponta que as vendas do setor devem avançar 1,6% no próximo ano, abaixo dos 4,1% registrados em 2024. A revisão para baixo reflete sinais de desaceleração da confiança empresarial e da demanda.
Segundo o banco, o consumo das famílias ainda deve se manter em expansão no curto prazo, sustentado pelo mercado de trabalho aquecido e pela possível liberação de R$ 12 bilhões em precatórios. No entanto, os investimentos dos varejistas devem seguir em ritmo contido.
Economia e juros
O Bradesco manteve a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,1% em 2025, com estabilidade no segundo semestre. Para outros indicadores, a instituição projeta Selic em 15%, dólar a R$ 5,50, taxa de desemprego em 5,9% e dívida bruta equivalente a 80,2% do PIB.
A única revisão foi na inflação: o IPCA passou de 4,9% para 4,7%, em razão da valorização do câmbio e da estabilidade dos preços dos alimentos. O banco prevê que o Banco Central só inicie o ciclo de cortes de juros em janeiro de 2026. Até lá, a Selic acumulada deve encerrar 2025 em 14,33%, com taxa real de 9,23%. O crédito total deve avançar 7,4% no ano.
Mercado de trabalho e inflação de serviços
A projeção é de aumento real dos rendimentos em torno de 4% no próximo ano, o que tende a sustentar a inflação de serviços em cerca de 5%. Já a taxa de desemprego deve permanecer em 5,9% em 2025, subindo para 6,5% em 2026.
Desempenho setorial
O relatório também aponta que o crescimento da economia tem sido puxado por setores ligados à indústria extrativa, enquanto atividades mais sensíveis aos juros registram desempenho abaixo do esperado.
Outro destaque é que, pela primeira vez desde 2023, a absorção doméstica cresceu menos que o PIB total, reduzindo a pressão sobre a capacidade ociosa da economia e sinalizando um ritmo mais moderado de expansão nos próximos trimestres.
