PATROCINADORES

Crédito para empresas afetadas pelas tarifas dos EUA fortalece bancos, diz Moody’s

Da redação
29 de julho de 2026
Agência afirma que programa Brasil Soberano 3 deve conter a inadimplência no curto prazo, mas pode pressionar a qualidade dos ativos e estimular dependência de subsídios se os juros permanecerem elevados

O programa Brasil Soberano 3, lançado pelo governo federal para apoiar empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e pelos impactos do conflito no Oriente Médio, deve trazer efeitos positivos para o sistema bancário no curto prazo, segundo avaliação da Moody’s. Em relatório divulgado nesta terça-feira (29), a agência afirma que as novas linhas de crédito subsidiado tendem a reduzir o risco dos ativos das instituições financeiras e ajudar a conter a inadimplência em um cenário de juros elevados.

O programa prevê até R$ 18,5 bilhões em financiamentos, sendo R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do BNDES, que ficará responsável por operacionalizar as linhas com juros entre 3% e 9,8% ao ano. Os recursos serão destinados a exportadores diretamente atingidos pela tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos, empresas de setores estratégicos, como minerais críticos e fertilizantes, e companhias que exportam para países do Golfo Pérsico afetados pela instabilidade geopolítica.

Para a Moody’s, o pacote ajuda a preservar a capacidade financeira das empresas e evita um aumento da inadimplência em um momento em que a taxa Selic permanece em 14,25% ao ano. Apesar disso, a agência alerta que a expansão do crédito subsidiado em um ambiente de elevado endividamento pode comprometer a qualidade das carteiras a partir de 2027, caso os juros continuem elevados. O relatório também ressalta que o uso recorrente desse tipo de política tende a criar incentivos para que empresas passem a depender de novos programas governamentais de socorro.

A agência observa ainda que, embora as linhas representem apenas cerca de 0,25% do estoque total de crédito do sistema financeiro, elas podem gerar distorções se forem adotadas de forma frequente. Segundo a Moody’s, experiências da década de 2010 mostraram que empréstimos subsidiados em larga escala reduziram o espaço de atuação dos bancos privados ao favorecer operações com recursos públicos.

O relatório também destaca outra iniciativa recente do governo: a possibilidade de renegociação de até R$ 100 bilhões em dívidas rurais. A medida deve beneficiar especialmente Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, instituições com índices de inadimplência no crédito rural acima da média do sistema, contribuindo para reduzir perdas em 2026 e ampliar o acesso dos produtores aos recursos do Plano Safra 2026/2027.

Gostou do conteúdo? Inscreva-se e receba a newsletter de MONEY REPORT

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também

Em breve