Alta mensal reflete reação pontual puxada pela Caixa, enquanto juros elevados seguem limitando recuperação do setor
O crédito imobiliário deu um salto relevante em março, ao atingir R$ 18,5 bilhões — um dos maiores volumes da série histórica —, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança. O avanço, de mais de 50% tanto na comparação mensal quanto anual, indica uma retomada no ritmo de concessões, mas ainda insuficiente para reverter a trajetória mais fraca no acumulado recente.
O principal motor desse movimento segue sendo a Caixa Econômica Federal, que ampliou de forma significativa os desembolsos no início do ano. A atuação do banco público tem funcionado como um estabilizador do mercado, compensando a postura mais cautelosa das instituições privadas diante de juros ainda elevados e maior seletividade no crédito.
Apesar da reação em março, o quadro mais amplo ainda inspira cautela. No acumulado de 12 meses, o crédito imobiliário soma R$ 160,8 bilhões, queda de 13,5%, um reflexo direto do ciclo de aperto monetário recente, que encareceu o financiamento e reduziu a demanda, especialmente no segmento de médio e alto padrão.
Há, no entanto, sinais de reorganização do mercado. O crescimento das operações com recursos livres, ainda que em patamar menor, indica uma tentativa dos bancos de diversificar fontes de funding em um ambiente de menor disponibilidade de poupança, tradicional base do crédito imobiliário no país.
O recorte por instituições também revela um setor ainda desigual. Enquanto a Caixa acelera, bancos como Itaú Unibanco e Bradesco mostram retração nas concessões, refletindo estratégias mais conservadoras. Já o Santander Brasil aparece como exceção entre os privados, com leve expansão.
Na prática, o dado de março sugere mais um respiro do que uma virada estrutural. A retomada mais consistente do crédito imobiliário ainda depende de condições macroeconômicas mais favoráveis — sobretudo juros mais baixos e maior previsibilidade — para ganhar tração de forma sustentável.
