Ata explica o que obrigou a elevação dos juros a 15%. Restrições ao crédito e consumo são ferramentas para manter a inflação mais próxima da meta
Na ata divulgada nesta terça-feira (24) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) foi reafirmada a manutenção dos juros básicos da economia (Selic) elevados. Mesmo com a produção interna mantida além das expectativas dos analistas, inflação elevada, expectativas desancoradas e incertezas globais acabam por exigir cautela e contenção.
Confira a ata:
O Copom reiterou que o aumento da taxa de juros em 0,25 ponto percentual, alcançando 15% ao ano, essencial para puxar a inflação para perto da meta de 3%. Na ata, foi afirmado: “Os dados mais recentes corroboram a interpretação de um mercado de trabalho dinâmico com expressiva geração de empregos formais e redução da taxa de desemprego. Houve, por outro lado, alguma desaceleração nos rendimentos, mas ainda persistem em patamar elevado, dando suporte ao crescimento da renda ampliada das famílias. Ressaltou-se que a inflexão no mercado de trabalho também é parte dos mecanismos de transmissão da política monetária e deve ficar mais evidente e forte ao longo do tempo, de modo compatível com um cenário de política monetária restritiva”.
Sobre as projeções de inflação, o Copom reiterou que as expectativas para 2025 e 2026 seguem acima da meta de 3%, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) projetado para 4,9% em 2025 e 3,6% em 2026. Diante da desancoragem das expectativas, o risco se torna maior, que dificulta a convergência da inflação à meta, exigindo mais firmeza na condução da política monetária. Ou seja, mais aperto na Selic, o que restringe crédito e o consumo.
