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Confronto econômico vira principal risco global

Da redação
14 de janeiro de 2026
Pesquisa do Fórum Econômico Mundial aponta disputa geoeconômica como principal ameaça no curto prazo e eleva inteligência artificial ao topo das preocupações de longo prazo

O confronto econômico entre países passou a ocupar o primeiro lugar no ranking de riscos globais, superando o temor de conflitos armados, segundo o Relatório de Riscos Globais divulgado nesta quarta-feira (14) pelo Fórum Econômico Mundial. O levantamento ouviu mais de 1.300 líderes de governos, empresas, academia e sociedade civil em todo o mundo.

De acordo com o estudo, o chamado “confronto geoeconômico” — caracterizado pelo uso de tarifas, restrições a investimentos, controles sobre cadeias de suprimentos e disputas por recursos estratégicos — é hoje a principal preocupação no horizonte de até dois anos. Para o Fórum, esse movimento amplia a incerteza, pressiona o comércio internacional e aumenta o risco de choques econômicos globais.

Segundo Saadia Zahidi, diretora-gerente do Fórum, trata-se de um cenário em que ferramentas de política econômica deixam de ser instrumentos de cooperação e passam a funcionar como armas estratégicas. A escalada de tensões entre grandes potências, especialmente entre Estados Unidos e China, aparece como um dos principais vetores desse risco.

IA entra no radar como ameaça estrutural

Além das disputas econômicas, o relatório chama atenção para a inteligência artificial como um dos riscos mais relevantes da próxima década. As “consequências adversas das tecnologias de IA” aparecem apenas na 30ª posição entre os riscos de curto prazo, mas saltam para o quinto lugar no horizonte de dez anos, refletindo o aumento das preocupações com governança, impactos no mercado de trabalho e efeitos sociais de longo alcance.

O Fórum alerta que a automação e o deslocamento de trabalhadores podem aprofundar a desigualdade de renda, reduzir o consumo e alimentar ciclos de instabilidade econômica e insatisfação social, mesmo diante de ganhos de produtividade. O documento também destaca a convergência acelerada entre aprendizado de máquina e computação quântica, criando um ambiente tecnológico mais complexo e difícil de controlar.

Meio ambiente perde força no curto prazo, mas segue no topo no longo

Os riscos ambientais perderam posições no ranking de curto prazo. Eventos climáticos extremos caíram do segundo para o quarto lugar, enquanto a poluição recuou para a nona posição. Já a perda de biodiversidade e as mudanças críticas nos sistemas terrestres também recuaram no horizonte imediato.

No entanto, quando a análise se estende para dez anos, essas ameaças ambientais voltam a liderar o ranking, ocupando as três primeiras posições. Para Zahidi, o desafio não está na falta de diagnóstico, mas na queda da capacidade coletiva e da disposição política para agir de forma coordenada.

Ambiente global mais instável

O relatório traça um cenário de elevada instabilidade global. Metade dos entrevistados espera um período de forte turbulência nos próximos dois anos, enquanto apenas 1% acredita em um ambiente de estabilidade. Entre os riscos que mais avançaram em preocupação estão recessão, inflação persistente, endividamento elevado e volatilidade dos mercados financeiros.

O Fórum conclui que enfrentar esses desafios exigirá alianças mais sólidas entre governos, empresas, universidades e sociedade civil, sob o risco de o mundo se aproximar de um ponto crítico difícil de reverter.

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