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Com desemprego e consumo em alta, a economia apresenta sinais contraditórios

Com 50% da população imunizada com as duas doses ou dose única, 72% com uma agulhada e os casos de covid caindo acentuadamente, o Brasil deveria experimentar uma retomada das atividades econômicas mais contínua e otimista. Em vez disso, o que há são solavancos, com diferentes setores produtivos e camadas da população reagindo de modo quase autônomo em relação aos demais. Enquanto há bares, restaurantes, salões de beleza, lojas e escolas voltando com tudo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou no segundo trimestre um taxa de desemprego de 14,1% (14,4 milhões). Esses brasileiros em grande parte necessitam de auxílio do governo e tudo o que conseguem vai para o consumo básico, principalmente alimentos, que por sua vez são afetados pela inflação. De acordo com o Serasa Experian, em setembro houve um aumento de 14,2% na busca por crédito, na comparação com o mesmo período do ano passado. O que poderia ser um sinal alentador se mostrou uma distorção. A maior parte dos empréstimos era para quitar dívidas de curto prazo.

Para entender essas discrepâncias MONEY REPORT consultou pesquisadores econômicos:

“Os estados sentem uma melhora. Isso vai de encontro com as incertezas do cenário macro”

João Gomes – diretor do Instituto Fecomércio do rio

O diretor do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises do Rio de Janeiro, João Gomes, faz um paralelo com a situação econômica do Rio de Janeiro para explicar os sinais trocados da economia. Ele destacou o avanço da vacinação como fator crucial para a retomada, mas que há muita dúvida sobre o ano de 2022 devido às eleições. Ele destacou que a atividade comercial da cidade do Rio está mais forte e que os serviços e turismo está reempregando. “Os estados, assim como o Rio de Janeiro, sentem uma melhora. Isso vai de encontro com as turbulências e incertezas do cenário macro”, criando um notável descolamento entre o comportamento dos estados e da União.

“Uma economia não pode se sustentar apenas pelo consumo”

Claudio Considera – pesquisador da FGV/IBRE

Para Claudio Considera, pesquisador associado da Fundação Getúlio Vargas/Instituto Brasileiro de Economia (FGV/IBRE), há uma retomada na confiança em frequentar os serviços e aumento no consumo das famílias, mas isso é direcionado para uma demanda de bens não duráveis, enquanto há uma estagnação por bens duráveis. “De fato, é uma economia de sinais trocados. Do ponto de vista macro, temos a inflação, desemprego e até desistência por busca de emprego [índice de desocupação é maior que o contabilizado], quando se olha para as classes mais empobrecidas”. Considera destacou que a pandemia não acabou e no critério distorções, há a discussão macroeconômica sobre o novo Bolsa Família (além de outros direitos, como aposentadorias e pensões que são recursos provenientes da União). “Uma economia não pode se mover por auxílios. Isso não é sustentável a longo prazo e gerará mais distorções diante do tamanho da classe empobrecida”. O ideal é gerar emprego e renda. “Uma economia não pode se sustentar apenas pelo consumo”, alerta. O pesquisador explicou que o consumo faz parte da economia, mas precisa estar atrelado a geração de riqueza e valor, com investimentos e reinvestimentos. Apenas o auxílio e o incentivo ao consumo não farão o PIB avançar.

“Há muito consumo represado. As classes mais baixas
só compram o essencial”

Juliana Inhasz – professora de macroeconomia do Insper

Para a coordenadora da graduação em economia e professora de macroeconomia internacional e fundamentos de macroeconomia do Insper, Juliana Inhasz, há comportamentos e movimentos, instabilidade macroeconômica e volta do movimento no comércio. Porém, ela aponta que não há uma euforia por consumo nos shoppings centers, que foram convertidos em locais de passeio. Ela destacou quem procura por crédito não torra em shoppings e que esse movimento do consumo está atrelado às classes mais altas, que sentiram menos o impacto da crise. “Há ainda um consumo represado. As classes mais baixas só compram o essencial”, destacou. Inhasz também explicou a situação da classe média, que está consumindo uma fração de antes. “É o filho que voltou ao colégio e precisa de um tênis ou a compra de uma calça jeans porque a de 2019 não serve mais”, mas que a situação em si não é confortável. “A economia está longe de bombar”.

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