PATROCINADORES

CNI cobra corte de gastos e critica ajuste fiscal

Da redação
5 de janeiro de 2026
Ricardo Alban diz que governo prioriza aumento de receitas, alerta para riscos fiscais em 2027 e afirma que faltou diálogo com a indústria

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, fez duras críticas à condução da política econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o Executivo tem insistido em um ajuste fiscal baseado quase exclusivamente no aumento de receitas, sem enfrentar o crescimento das despesas públicas, além de manter pouco diálogo com o setor produtivo.

Em entrevista ao jornal O Globo publicada nesta segunda-feira (5), Alban comentou o projeto de lei que prevê a redução linear de 10% nos incentivos fiscais. Para o dirigente, a proposta é injusta e carece de racionalidade tributária. Ele disse considerar improvável um veto presidencial e criticou o fato de o governo não discutir o ajuste pelo lado dos gastos. “Por que essa conta nunca é fechada do lado da despesa? Em qualquer orçamento, a primeira coisa que se olha é o que pesa na despesa”, afirmou.

O presidente da CNI avaliou que a estratégia de elevar arrecadação tem alcance limitado e tende a gerar distorções. Ele também criticou o corte linear de benefícios fiscais, argumentando que a medida ignora diferenças estruturais entre setores da economia. “Não podemos tratar desiguais de forma igual”, disse.

Entre os pontos mais sensíveis, Alban destacou a tributação sobre o lucro presumido, que, segundo ele, afeta principalmente a classe média e profissionais liberais, e o aumento do Imposto de Renda sobre juros sobre capital próprio. Para o dirigente, essas medidas deveriam ser debatidas dentro de um conceito mais amplo de justiça tributária.

Alban também associou parte das decisões econômicas ao calendário eleitoral. Na sua avaliação, há “irracionalidades populistas” em um ambiente marcado pelo discurso de polarização política. Ele alertou que a expansão de gastos sociais, combinada ao elevado déficit nominal e ao peso dos juros da dívida, pode gerar uma situação fiscal mais crítica a partir de 2027.

No campo monetário, o presidente da CNI defendeu o início imediato de cortes na taxa Selic. “Nada justifica 10% de juro real”, afirmou, ao criticar também o spread bancário. Segundo ele, os juros elevados restringem investimentos e consumo, apesar de a economia ainda demonstrar alguma resiliência impulsionada pelo estímulo fiscal. Alban citou ainda o aumento do endividamento dos trabalhadores, especialmente por meio do crédito consignado privado.

Sobre as perspectivas para 2026, Alban disse que a desaceleração econômica esperada está ligada aos juros altos e à incerteza em relação ao ajuste fiscal após as eleições. “Existe uma bomba-relógio que pode estourar em 2027”, afirmou, acrescentando não ver disposição dos Três Poderes para ajustes internos.

Ele também voltou a criticar a proposta de fim da escala 6×1, classificando-a como inoportuna e eleitoreira. Para Alban, discutir redução da jornada de trabalho em um cenário de pleno emprego e baixa produtividade amplia a pressão sobre os gastos públicos.

Ao avaliar a atuação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Alban foi direto: disse que faltou diálogo com o setor produtivo e que medidas mais equilibradas poderiam ter sido construídas com maior participação da indústria.

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também

Em breve