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Clima e custos de reparos fazem seguro residencial subir 16%

Da redação
11 de março de 2026
Segmento movimenta cerca de R$ 6 bilhões e ganha espaço no planejamento financeiro das famílias diante de tempestades, custos de reparos e insegurança urbana

O seguro residencial tem registrado crescimento no Brasil em meio ao aumento de eventos climáticos extremos e à elevação nos custos de reparos domésticos. Entre 2023 e 2025, a arrecadação do segmento ultrapassou R$ 6 bilhões no país, com avanço de 16,5% apenas em 2024, segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

O movimento ocorre em um cenário em que danos causados por tempestades, quedas de árvores, falhas elétricas e problemas hidráulicos têm gerado prejuízos cada vez mais elevados para os consumidores. Equipamentos eletrônicos queimados, portões automáticos danificados, infiltrações e sistemas de segurança afetados estão entre os problemas mais comuns após eventos climáticos.

Além das ocorrências mais graves, imprevistos cotidianos — como chuveiros queimados, fechaduras travadas, curtos-circuitos ou rompimento de encanamentos — também têm pressionado o orçamento das famílias, especialmente quando os reparos exigem atendimento emergencial e mão de obra especializada.

Esse cenário tem ampliado o interesse pelo seguro residencial como ferramenta de proteção financeira. Atualmente, cerca de 17% dos domicílios brasileiros contam com esse tipo de cobertura, o equivalente a aproximadamente 13 milhões de residências seguradas.

Para Hugo Reichenbach, sócio e diretor de operações da Real Seguros Viagem, a mudança está relacionada à combinação de custos mais altos e maior percepção de risco. “A percepção mudou porque os números mudaram. Reparos que antes custavam algumas centenas de reais hoje facilmente ultrapassam milhares. Trocar um portão eletrônico, refazer uma instalação elétrica ou reparar infiltrações após uma tempestade já não cabe no orçamento de boa parte da população”, afirma.

Segundo ele, a insegurança urbana também tem impulsionado a demanda por coberturas contra roubo e furto qualificado, sobretudo em grandes centros urbanos.

Outro fator que contribui para a expansão do segmento é a mudança no próprio formato do seguro residencial. Além da cobertura contra grandes sinistros, como incêndios ou explosões, as apólices passaram a incluir serviços de assistência emergencial, como chaveiro, eletricista e encanador.

“Hoje, o cliente não contrata o seguro apenas pensando no pior cenário. Ele contrata porque usa”, diz Reichenbach. “A assistência 24 horas tem sido decisiva para muitas famílias, que utilizam o seguro não apenas em grandes sinistros, mas também no dia a dia.”

A digitalização também tem contribuído para ampliar o acesso ao produto. Empresas que antes atuavam em nichos específicos passaram a oferecer seguros residenciais com contratação digital, coberturas modulares e preços mais acessíveis.

De acordo com a CNseg, o mercado de seguros no Brasil como um todo deve alcançar cerca de R$ 100 bilhões em 2026, com crescimento anual estimado em torno de 8%.

No cenário global, os impactos financeiros de desastres naturais também têm aumentado. Segundo relatório do Swiss Re Institute, perdas seguradas decorrentes de eventos como tempestades severas e incêndios florestais chegaram a cerca de US$ 80 bilhões no primeiro semestre de 2025, quase o dobro da média registrada na última década.

Para Reichenbach, o seguro residencial tem sido cada vez mais visto como um mecanismo de proteção do orçamento doméstico. “Ele não evita o problema, mas impede que o problema vire uma crise financeira”, afirma.

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