Itaú vê espaço mais restrito para o Banco Central seguir cortando a taxa básica de juros
O Itaú Unibanco revisou suas projeções e alerta que o choque inflacionário está pressionando os limites do ciclo de flexibilização monetária. O banco elevou a estimativa de IPCA para 2026 de 4,5% para 5,2%, refletindo alta nos combustíveis e alimentos, com efeitos do El Niño e menor oferta de leite. Para 2027, a projeção também subiu, de 4,1% para 4,3%, incorporando maior inércia inflacionária. O balanço de riscos segue apontando para cima, com novos reajustes de gasolina e diesel no radar.
Apesar do cenário mais positivo para moedas da América Latina e da revisão da taxa de câmbio para R$ 5,15 em 2026, o ambiente doméstico continua desafiador. O PIB deve crescer 1,9% em 2026 e 1,7% em 2027, mas há riscos de desaceleração do crédito e impacto do ambiente externo. O mercado de trabalho deve manter taxas de desemprego em torno de 5,7% e 6,0% nos próximos anos.
No campo fiscal, o Itaú projeta déficit primário de -0,5% do PIB em 2026 e -0,6% em 2027. O governo deve usar receitas extraordinárias para compensar cortes de impostos sobre combustíveis, priorizando a mitigação dos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a economia doméstica.
Diante da piora inflacionária e da deterioração das expectativas, o Copom segue calibrando o ciclo de cortes da Selic. O Itaú revisou a projeção da taxa para 13,25% em 2026, acima da estimativa anterior de 13,00%, sinalizando que o espaço para flexibilização monetária está cada vez mais restrito.
