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China pode reduzir em até 25% importações de soja do Brasil até 2030

Da redação
19 de maio de 2026
Nova estratégia de segurança alimentar, com foco em produção interna, tecnologia e mudanças na ração animal, pode afetar principal mercado do agronegócio brasileiro, aponta relatório da Systemiq

A China está avançando em uma nova fase de sua estratégia de segurança alimentar, com potencial para alterar a dinâmica das cadeias globais de commodities agrícolas e gerar impactos relevantes para o Brasil. A conclusão é do relatório “China’s Food Future”, publicado pela Systemiq em parceria com a Gordon and Betty Moore Foundation. 

Em 2024, as importações agrícolas chinesas somaram cerca de US$ 237 bilhões, consolidando o país como o principal destino global de commodities do setor. 

Atualmente, a China responde por cerca de 60% das importações globais de soja e mantém um déficit agrícola de aproximadamente US$ 124,5 bilhões, refletindo a dependência de fornecedores externos para atender à demanda interna. 

O Brasil tem papel central nesse contexto: mais de 60% da soja importada pela China vem do país, além de cerca de 40% da carne bovina consumida no mercado chinês.

Segundo o relatório, a estratégia chinesa combina aumento da produção doméstica, ganhos de produtividade, ajustes na formulação de ração animal e investimentos em novas tecnologias, como biotecnologia e proteínas alternativas. 

As projeções indicam que, até 2030, essas mudanças podem levar a uma redução de cerca de 23,5 milhões de toneladas nas importações de soja, o equivalente a aproximadamente 25% em relação aos níveis atuais. O volume corresponde, por exemplo, a toda a exportação de soja dos Estados Unidos para a China em 2024, estimada em cerca de US$ 12 bilhões. 

Hoje, cerca de 84% da soja consumida na China é importada, o que ajuda a dimensionar o impacto potencial dessa transição. 

Brasil

O Brasil é um dos países mais expostos a esse movimento. Atualmente, cerca de 71% das exportações brasileiras de soja têm a China como destino, além de aproximadamente 54% das exportações de carne bovina. 

Além do Brasil, a China também concentra grande parte das exportações agrícolas de outros países, como 89% da soja da Argentina e 53% da soja dos Estados Unidos, reforçando o peso global dessa relação comercial.

Para Patricia Ellen, sócia-presidente da Systemiq Latam, a relevância dessa dependência exige atenção às mudanças em curso. “A China está ampliando o foco em segurança alimentar e buscando reduzir vulnerabilidades nas cadeias de abastecimento. Esse movimento pode trazer impactos importantes para países exportadores como o Brasil”, afirma.

Segundo a executiva, o cenário não indica necessariamente uma retração do agronegócio brasileiro, mas reforça a importância de acompanhar a evolução da demanda global. “É um contexto que pede diversificação de mercados, ganho de produtividade e maior atenção às exigências de sustentabilidade e rastreabilidade, que tendem a ganhar peso nas relações comerciais”, complementa.

O relatório aponta ainda que em um horizonte mais longo, a transformação do sistema alimentar chinês pode se intensificar. Até 2040, proteínas alternativas podem alcançar entre 14% e 16% de participação em segmentos como carne bovina e frutos do mar. Já até 2050, essas fontes podem representar entre 35% e 55% do consumo total de proteínas no país. Nesse cenário, a China pode inclusive se tornar exportadora líquida de algumas categorias de proteína animal, alterando o equilíbrio global do setor.

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