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Bancos brasileiros são afetados por tensão entre Trump e Moraes

Da redação
4 de setembro de 2025
Itaú, Bradesco, Santander, BTG e Banco do Brasil enfrentam dilema entre cumprir sanções dos EUA ou decisões do STF em meio a crise diplomática

Grandes bancos do Brasil, como Itaú Unibanco, Bradesco, Santander Brasil, BTG Pactual e Banco do Brasil, enfrentam incertezas após a escalada da crise diplomática entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, segundo reportagem do jornal britânico Financial Times publicada nesta quinta-feira (4).

De acordo com o FT, a decisão do ministro Flávio Dino de que empresas podem ser punidas no Brasil caso adotem medidas contra Moraes colocou os bancos em um dilema: desrespeitar as sanções americanas ou contrariar o mais alto tribunal do país. O resultado foi queda nas ações dessas instituições após a decisão.

O conflito surge no contexto de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA, anunciadas por Trump como retaliação ao que chamou de “caça às bruxas política” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, o governo americano aplicou sanções financeiras contra Moraes sob a chamada Lei Magnitsky.

Segundo o FT, violar sanções americanas pode levar à exclusão do sistema financeiro dos EUA, um risco crítico para bancos com operações internacionais ou linhas de financiamento em dólares. Há ainda debate sobre a interpretação das sanções e até que ponto os bancos brasileiros devem aplicá-las, especialmente em transações envolvendo moeda local.

O jornal destaca que, na pior hipótese, as sanções poderiam afetar não apenas Moraes, que teria dificuldades em movimentar contas bancárias, mas também operações de bancos brasileiros nos EUA. A preocupação se estenderia a outros magistrados que votassem pela condenação de Bolsonaro.

Na quarta-feira (3), a Reuters informou que bancos brasileiros começaram a receber cartas do Departamento do Tesouro dos EUA cobrando medidas dentro das sanções Magnitsky. Procurados, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e BTG não comentaram, enquanto o Santander afirmou que não divulga informações sobre temas regulatórios sigilosos.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) disse não ter recebido comunicados dos bancos sobre o assunto, lembrando que tais correspondências têm caráter confidencial.

O Departamento do Tesouro dos EUA não respondeu.

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