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Até quando os restaurantes aguentam ficar de portas fechadas?

Um resumo rápido da pandemia por aqui. Primeiro, as más notícias: o Brasil possui 74 % das mortes ocorridas na América do Sul na última semana. Ultrapassamos a barreira dos 360 000 mortos e marchamos para a marca dos 400 000 óbitos. Ontem, tivemos mais 3 560 falecimentos, o que significa um platô ainda muito alto. Por outro lado, o ritmo de infecção entre os brasileiros está diminuindo (ainda não no ritmo desejado) e muitos hospitais começam a sair do gargalo absoluto, como se viu até o último final de semana. Vacinamos já 15,4 % da população, um índice ligeiramente superior à média mundial, de 11,2 %.

Na prática, é uma situação nefasta que ainda está longe de ser controlada. Diante disso, as medidas de isolamento seguem como a única solução que oferece resultados práticos, apesar das consequências econômicas avassaladoras, especialmente para o comércio e para os restaurantes. Nesse meio-tempo, continua a discussão ideológica da Covid-19: recentemente, espalhou-se pelas redes sociais que a cidade de Chapecó não tinha nenhum habitante internado nas UTIs e que esse resultado fora obtido apesar de o município não ter realizado lockdown. Este post, porém, é falso. Chapecó, segundo o boletim médico de ontem, tinha 112 pessoas nas unidades de terapia intensiva, como pode ser comprovado através deste link: https://www.chapeco.sc.gov.br/documentos/54/documentoCategoria .

Ou seja, o mar não está para peixe, uma vez que as novas cepas da Covid-19 parecem ter uma capacidade de contaminação muito maior que a original, tornando a segunda onda muito mais expressiva que a original, observada entre março e junho.

Feitas essas considerações, é preciso abrir outra discussão: até quando os restaurantes e os pequenos comerciantes aguentam ficar com as portas fechadas?

Muitos, em São Paulo, estão enveredando pelo caminho da desobediência civil e, seguindo o exemplo dos speakeasies da Lei Seca americana dos anos 1930, estão recebendo clientes de forma clandestina. Alguns usam portas alternativas, outros trancam a entrada principal e colocam cortinas de blackout nas janelas. Os métodos variam de local para local, mas a constatação é uma só: cresce o número de estabelecimentos que estão promovendo a desobediência civil.

Antes de mais nada, vamos tentar entender o lado de quem desrespeita o lockdown. Não estamos falando necessariamente de negacionistas que desejam espalhar o vírus ou de irresponsáveis gananciosos que querem lucrar ao custo de vidas humanas. Muitos dos que abrem discretamente seus negócios são empreendedores desesperados que lutam contra a falência e têm responsabilidade com suas famílias e seus empregados. Não são todos que têm reservas financeiras e podem bancar um longo período vivendo apenas das receitas geradas pelo sistema de delivery.

Isso é o que está acontecendo em São Paulo, uma cidade com 12 milhões de habitantes. No interior, o cenário é ainda mais grave e temos, pela primeira vez em muitos anos, um quadro de fome que ultrapassa os miseráveis e chega à classe média.

Diante disso, é possível compreender o desespero dos comerciantes e donos de restaurantes, apesar de todos os problemas que a desobediência ao lockdown possa trazer. Por isso, é preciso fazer alguma coisa. Não se pode esperar, pura e simplesmente, por uma quebradeira.

Na cidade de Chapecó, por sinal, a prefeitura está testando uma ideia que tem potencial para dar certo: o lockdown inverso. Fica isolado apenas quem foi contaminado. A cidade, que tem pouco mais de 200 000 habitantes, comprou 40 000 testes rápidos (do tipo “swab” nasal) e está mapeando a população, permitindo a livre circulação de quem tem imunidade ou não possui a doença.

Esse tipo de solução, porém, parece ser inviável em uma metrópole como Rio de Janeiro ou São Paulo. O que pode ser feito em uma grande cidade, como a capital paulista?

A prefeitura poderia autorizar a abertura dos restaurantes apenas para quem apresentasse um exame feito nas últimas 24 horas, obtido em laboratório e farmácias, ou um comprovante de vacinação. Seria um transtorno para o cliente? Sem dúvida. Mas poderia representar alento para centenas de milhares de estabelecimentos espalhados no Brasil inteiro, que empregam milhões de colaboradores.

Mesmo que essa ideia não seja viável, precisamos nos mexer e pensar em soluções para esse setor, antes que seja tarde. Não podemos nos conformar em ver esses estabelecimentos afundando sem fazer nada.

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