Medidas incluem IA para detectar fraudes, novos mecanismos de bloqueio e devolução de valores e maior controle sobre as chaves
O Banco Central (BC) prepara uma nova frente de medidas para reforçar a segurança do Pix e reduzir a ocorrência de fraudes e golpes. O órgão listou oito iniciativas no Relatório de Gestão do Pix, divulgado nesta segunda-feira (10), algumas já em desenvolvimento e outras ainda em discussão com o mercado.
Entre os projetos está a criação de critérios objetivos mínimos para identificar transações suspeitas de fraude. Atualmente, cada instituição financeira adota seus próprios parâmetros, o que, segundo o BC, produz comportamentos diferentes entre os participantes e pode permitir que operações de risco sejam autorizadas sem uma análise mais rigorosa.
Outra medida prevê a criação de um indicador de probabilidade de fraude em tempo real, calculado centralmente pelo BC com uso de machine learning. A ferramenta poderá ser disponibilizada às instituições participantes para reforçar seus próprios sistemas antifraude. O banco também pretende aprimorar o bloqueio cautelar, com um fluxo direto e automatizado de informações entre as instituições envolvidas na operação.
A agenda inclui ainda a ampliação das medidas cautelares disponíveis. Entre as possibilidades estão restringir o cadastro de novas chaves Pix, limitar o acesso ao Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), impor limites de valor e estabelecer restrições de horários para envio e recebimento de recursos. O BC também discute a padronização dos alertas de possíveis golpes exibidos aos clientes antes da conclusão de uma transferência.
Na gestão das chaves, o BC pretende criar mecanismos que permitam uma atuação mais direta para bloquear ou excluir identificadores com problemas. A autoridade também desenvolverá uma segunda camada de verificação para conferir se os dados de nome, CPF e CNPJ associados às novas chaves estão de acordo com as bases da Receita Federal, com possibilidade de bloqueio até a correção das informações.
A oitava iniciativa é a inclusão dos iniciadores de transação de pagamento no Mecanismo Especial de Devolução (MED). Hoje, essas instituições não estão integradas ao mecanismo, o que dificulta o acionamento do sistema em determinadas operações e reduz a capacidade de monitoramento de fraudes.
O BC afirma que as ações fazem parte de uma agenda permanente para fortalecer o gerenciamento de riscos e que instituições que não adotarem mecanismos robustos de prevenção poderão ser excluídas do ecossistema do Pix.
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