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Argentina fecha 2025 com inflação de 31,5%, menor nível em 8 anos

Da redação
14 de janeiro de 2026
Queda expressiva frente a 2024 marca primeiro resultado concreto do ajuste econômico de Javier Milei

Depois de anos sob inflação crônica, a Argentina encerrou 2025 com alta de preços de 31,5%, o menor patamar anual desde 2017, segundo dados divulgados pelo Indec. O resultado representa uma desaceleração contundente em relação aos 117,8% registrados em 2024 e carrega forte peso simbólico e político para o governo do presidente Javier Milei, que assumiu a Casa Rosada em dezembro de 2023 prometendo romper com o histórico inflacionário do país.

Apesar do alívio no acumulado do ano, a trajetória recente mostra sinais de cautela. Em dezembro, o Índice de Preços ao Consumidor avançou 2,8%, acima dos 2,5% de novembro, marcando o quarto mês consecutivo de leve aceleração mensal. O movimento indica que, embora a inflação tenha perdido força, o processo de estabilização ainda não está completamente consolidado.

Os principais focos de pressão seguem concentrados em transporte, habitação e energia, refletindo o impacto direto da retirada de subsídios e do realinhamento tarifário — medidas centrais do ajuste fiscal conduzido pelo governo. A recomposição de preços relativos, ainda em curso, continua a influenciar o comportamento inflacionário no curto prazo.

A desaceleração está diretamente ligada à estratégia de choque adotada por Milei. O congelamento de obras públicas, o corte de transferências às províncias e a eliminação de subsídios produziram um ajuste fiscal raro na história recente do país, abrindo espaço para uma sequência de superávits primários e melhora na percepção de risco por parte dos investidores. O peso deixou de se desvalorizar de forma desordenada, e as expectativas inflacionárias passaram a se ancorar.

O custo social, porém, foi elevado. No primeiro semestre de 2024, a taxa de pobreza chegou a 52,9% da população, segundo dados oficiais. Um ano depois, esse índice recuou para 31%, refletindo a desaceleração dos preços e alguma recuperação da renda real, ainda que em um ambiente econômico marcado por forte ajuste e retração do consumo.

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