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Álbum de figurinhas vira aula prática de educação financeira

Lorena Scavone Giron
31 de maio de 2026
Febre das coleções de 2026 pode ajudar famílias a discutir planejamento, consumo consciente e limites de gastos com crianças

A volta da febre dos álbuns de figurinhas em 2026 reacendeu uma tradição familiar conhecida: pacotinhos abertos à mesa, trocas entre amigos e a busca pelas imagens mais difíceis. Mas, por trás da brincadeira, há também uma oportunidade de aprendizado. A coleção pode funcionar como uma ferramenta simples para ensinar crianças sobre planejamento, escolhas de consumo e organização financeira.

O alerta está no efeito acumulado dos pequenos gastos. Segundo material produzido pela Rico, a compra de dois pacotinhos por dia durante três meses pode ultrapassar R$ 1.200. O valor mostra como uma despesa aparentemente inofensiva, quando repetida com frequência, pode pesar no orçamento doméstico.

Para Thaisa Durso, educadora financeira da Rico, o álbum permite transformar conceitos abstratos em experiências concretas. “O álbum oferece lições lúdicas sobre paciência, troca justa e estratégia, tudo isso enquanto a garotada se diverte e faz novos amigos”, afirma.

A principal recomendação é estabelecer limites antes de começar a coleção. Pais e filhos podem combinar um valor semanal ou uma quantidade máxima de pacotes, criando uma regra clara para evitar compras por impulso. A prática também ajuda a criança a lidar com frustração, espera e priorização, especialmente quando há figurinhas repetidas ou difíceis de encontrar.

As trocas aparecem como parte central do aprendizado. Além de reduzirem o custo total da coleção, elas ensinam noções de negociação, escassez, oferta e demanda. Guardar repetidas, comparar possibilidades e decidir quando trocar são pequenas decisões que aproximam a criança de temas como estratégia e valor relativo.

“Negociar ‘duas comuns por uma difícil’ vira exercício de argumentação e planejamento”, diz Thaisa. A dinâmica, segundo a educadora, permite que a criança entenda que nem toda conquista depende de uma nova compra. Muitas vezes, organização e paciência podem ser mais eficientes do que o impulso de abrir mais pacotinhos.

O material da Rico também compara o impacto de gastar R$ 1.200 em figurinhas com a possibilidade de investir o mesmo valor em um título atrelado à Selic. Pela simulação, esse montante poderia chegar a R$ 1.295,04 em um ano, R$ 1.793,07 em cinco anos e R$ 2.730,97 em dez anos, já líquido.

A comparação não elimina o valor afetivo da coleção, mas ajuda a colocar a diversão dentro de um contexto financeiro mais consciente. A ideia não é transformar o álbum em vilão, e sim usar o entusiasmo das crianças como ponto de partida para conversas sobre dinheiro.

“No fim das contas, ninguém precisa demonizar o álbum de figurinhas ou o futebol. A coleção pode se tornar uma das melhores ‘salas de aula’ de educação financeira que uma criança já frequentou, desde que haja acompanhamento e limites claros”, conclui Thaisa.

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