Ex-presidente do BC destaca que períodos de maior disciplina fiscal permitiram queda expressiva da Selic
Na coluna publicada neste domingo (5) no jornal Folha de S. Paulo, Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central e hoje vice-chairman do Nubank, defende que os juros altos no Brasil não são um destino inevitável, mas consequência direta de escolhas fiscais expansionistas.
Campos Neto contextualiza o cenário internacional. Desde a pandemia, o mundo enfrenta déficits persistentes e dívidas públicas próximas de 100% do PIB. No Brasil, esse pano de fundo se soma a uma política fiscal que, ao estimular a demanda, força o Banco Central a manter juros reais elevados para conter a inflação.
O ex-presidente do BC destaca que períodos de maior disciplina fiscal, como entre 2016 e 2019, permitiram queda expressiva da Selic e dos juros longos. Já fases de expansão fiscal exigiram política monetária mais dura.
Para o banqueiro, a meta de inflação não é o problema. Elevar a meta não reduziria juros, mas aumentaria o prêmio de risco e encareceria o financiamento.
Ele também menciona na coluna a carga tributária elevada. Com arrecadação próxima de 38% do PIB, ajustes via aumento de impostos tendem a ser ineficazes e corroer a base tributária.
O caminho para juros menores?
Campos Neto avalia que o ajuste precisa vir pelo lado da despesa, com revisão de indexações e contenção de gastos obrigatórios. Comunicação e credibilidade são vistas pelo ex-presidente do BC como aceleradores de resultados.
Em suma, a coluna ressalta que a queda sustentável dos juros depende de disciplina fiscal e previsibilidade. Sem isso, o custo de capital continuará alto e a política monetária seguirá sobrecarregada.
