Assinado após 25 anos, acordo UE-Mercosul amplia exportações do agro brasileiro e deve baratear alimentos europeus no Brasil
O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia foi assinado politicamente nesta sexta-feira (9), após 25 anos de negociações. O tratado marca a entrada na fase formal de ratificação nos parlamentos dos dois blocos e ainda não está em vigor, mas estabelece as bases para uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
Juntos, Mercosul e União Europeia reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto aproximado de US$ 22 trilhões. Para o Brasil, o acordo tem caráter estratégico. A UE é o segundo maior parceiro comercial do país. Em 2025, as exportações brasileiras para o bloco somaram US$ 49,8 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 50,2 bilhões.
A assinatura ocorre em um contexto de maior fragmentação do comércio global e reforça a estratégia brasileira de diversificação de parceiros, especialmente após restrições recentes impostas por Estados Unidos, China e México a produtos do agronegócio nacional.
O que acontece agora
Com a assinatura política concluída, o acordo segue para os processos internos de ratificação. O texto precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos Congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Somente após essa etapa o tratado passará a produzir efeitos jurídicos e comerciais.
A implementação será gradual. A eliminação de tarifas ocorrerá ao longo de prazos que variam de quatro a até 30 anos, a depender do setor e do grau de sensibilidade do produto.
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O que o Brasil pode exportar mais para a União Europeia
O agronegócio é o principal beneficiário do acordo. A União Europeia se comprometeu a eliminar tarifas de 77% dos produtos agropecuários importados do Mercosul, abrangendo mais de 80% do volume comercializado.
Entre os itens com maior potencial de expansão estão carnes, frutas, grãos e produtos de maior valor agregado. A carne bovina contará com uma cota de 99 mil toneladas com tarifa reduzida. A carne de aves terá uma cota de 180 mil toneladas com isenção dentro do limite negociado, enquanto a carne suína terá uma cota de 25 mil toneladas sob condições preferenciais.
Açúcar e etanol também terão tratamento específico, com cotas e redução gradual de tarifas. Produtos como café torrado e solúvel, frutas frescas, peixes, crustáceos e óleos vegetais terão tarifas eliminadas em prazos que variam de quatro a dez anos. Grãos e derivados de soja devem ganhar espaço como insumos para a pecuária europeia.
Apesar das oportunidades, o acesso ao mercado europeu exigirá maior atenção a critérios ambientais, rastreabilidade e padrões sanitários, fatores que podem elevar custos e demandar investimentos adicionais, sobretudo de pequenos e médios produtores.
O que tende a chegar mais barato ao Brasil
Para o consumidor brasileiro, o acordo prevê a redução gradual dos impostos de importação sobre uma série de produtos europeus. O azeite de oliva, hoje taxado em 10%, terá a tarifa reduzida até zero. Os vinhos europeus, atualmente tributados em 35%, também terão o imposto eliminado ao longo do período de transição, assim como outras bebidas alcoólicas.
Chocolates, hoje com tarifa de 20%, terão alíquota zerada gradualmente. Queijos poderão entrar no país com imposto zero dentro de uma cota anual de até 30 mil toneladas. O leite em pó terá redução da tarifa de 28% dentro do limite de 10 mil toneladas por ano, enquanto fórmulas infantis, hoje taxadas em 18%, terão isenção dentro de uma cota anual de até 5 mil toneladas.
Além de alimentos e bebidas, produtos industrializados como conservas, biscoitos, chocolates, destilados e itens processados devem ganhar maior presença no mercado brasileiro, ampliando a concorrência com a indústria local.
