França, Irlanda e Hungria prometem criar obstáculos, alegando prejuízos aos seus setores agrícolas
Após negociações que se arrastavam desde o início do século, a União Europeia (UE) aprova nesta sexta-feira (9) o acordo de livre comércio com o Mercosul. Os 27 países integrantes do bloco se reuniram em Bruxelas e, por maioria, aceitaram os últimos termos negociados.
Pelas regras da UE, a aprovação exige a concordância de 15 países que, juntos, representem pelo menos 65% da população europeia. França, Irlanda e Hungria votaram contra e prometem criar obstáculos nos próximos meses para impedir que o projeto seja implementado. Alemanha e Espanha foram favoráveis, enquanto a Itália, que era contra, optou por mudar de posição.
O acordo integra o Mercosul com a maior área de livre-comércio do mundo, um bloco de cerca de 451 milhões de pessoas e US$ 22 trilhões de PIB.
Se permanecer do jeito que está, tarifas de importação sobre 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos serão eliminados. De acordo com as estimativas europeias, as exportações para o Mercosul poderão aumentar até 39% e garantir 440 mil postos de trabalho no continente.
Para o Brasil e parceiros locais, surgem grandes oportunidades para os setores agrícolas (carnes, suco de laranja), industriais (farmacêuticos, máquinas) e energéticos (petróleo, gás e etanol). Todavia, no agro será necessário adaptação às regras ambientais e de segurança alimentar. Em termos tributários, o Brasil terá que aprimorar a reforma e desburocratizar processos para comprar e vender dos novos parceiros.
Na próxima segunda-feira (12), a presidente da Comissão Europeia, Ursula van der Leyen, pretende assinar o acordo em uma encontro de líderes do Mercosul no Paraguai. A assinatura formal do aceite se dará na tarde de hoje.
O acordo sai do papel em um momento de reversão das políticas bilaterais e de enfraquecimento dos blocos. A política isolacionista de Donald Trump, que isolaria europeus, contribuiu para a decisão da UE, mesmo com alguns impactos para seus agricultores.
