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“Grandes bancos devem dominar mercado pelos próximos dois anos”

As ações do banco Itaú caíram 3,32% nesta terça-feira (30) após a divulgação dos seus resultados trimestrais. O comportamento seguiu o de seus dois grandes concorrentes, Bradesco e Santander, que caíram  9,3% e 7,5%, respectivamente, desde a divulgação dos resultados trimestrais. A queda ocorreu a despeito dos bons resultados apresentados pelos três bancos, que viram os lucros, entre outros indicadores, aumentarem. Então, a pergunta é inevitável: por que os papéis estão derretendo na bolsa?

Segundo a analista do setor de bancos da Eleven Financial Research, Tatiana Brandt, a queda reflete a frustração da expectativa dos investidores de que os bancos atingissem o “guidance” (as projeções anuais) já no primeiro semestre, o que não ocorreu. “A reforma ainda não passou, a economia não andou. As grandes empresas ainda não estão tomando crédito para investir. Tem uma capacidade ociosa muita grande na indústria e isso fez com que o resultado não fosse o esperado”, afirma.

Para ela, os resultados de Itaú, Bradesco e Santander mostraram que as receitas com serviços estão sendo impactadas pelo aumento da competição no setor, resultado da economia ainda estagnada. Mesmo nesse cenário, houve bons sinais. “Os três bancos tiveram crescimento da carteira de crédito, tanto para pessoa física como para pequenas e médias empresas”, diz. “E isso se refletiu positivamente na margem financeira”. Tatiana também vê com bons olhos os índices de inadimplência que, segundo ela, continuam estabilizados.

A expectativa para o segundo semestre, segundo Tatiana, é melhor, com a aprovação da reforma da Previdência e o aumento na tomada de crédito por parte das empresas.

E no médio prazo? O crescimento das fintechs e bancos digitais pode ameaçar a hegemonia de Itaú, Bradesco e Santander? Enquanto os papeis desses bancos caíram, as ações do Banco Inter dispararam. Em 2019, as ações preferenciais do banco mineiro tiveram valorização de quase 150%. Na terça-feira 29, as units do banco digital avançaram 17,47% com a notícia do aporte bilionário do banco japonês Softbank.

Para Tatiana, pelo menos por enquanto a hegemonia dos bancos tradicionais não está ameaçada. “Os grandes bancos vão dominar o mercado de crédito pelos próximos dois anos, pelo menos”, diz. “Não vejo os bancos digitais atrapalhando o crescimento dos grandes bancos privados. Eles têm capital suficiente, apetite para crescer e muita escala.”

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