LONDRES (Reuters) – A entidade britânica de ajuda humanitária Save The Children pediu desculpas nesta quarta-feira pelo histórico de comportamento inadequado de um ex-presidente, e disse que os procedimentos não foram devidamente seguidos na análise de três queixas apresentadas contra ele durante seu período na entidade.
O pedido de desculpas veio no momento em que instituições de caridade prometem rever sua abordagem no tratamento de alegações de má conduta e assédio sexual.
O Reino Unido e a União Europeia estão revendo seu financiamento à organização Oxfam devido aos relatos de abusos de alguns de seus funcionários no Haiti após um terremoto em 2010.
A Save the Children disse que os temores a respeito de comentários e comportamento inadequados de seu ex-presidente Justin Forsyth vieram à tona em 2011 e 2015, e que nos dois casos as análises resultaram em “desculpas sem reservas” às mulheres envolvidas.
Mas a instituição disse que os processos de recursos humanos não foram seguidos em todos os aspectos.
A Save the Children disse que seu atual presidente, Kevin Watkins, iniciará uma “revisão da cultura organizacional de cima a baixo” em reação aos temores mais amplos a respeito de abuso e assédio sexual no setor humanitário.
“Pedimos desculpas por qualquer sofrimento que estas questões possam ter causado e esperamos sinceramente que os queixosos se sintam capazes de nos ajudar com a revisão nas próximas semanas”, disse a entidade em um comunicado.
Hoje Forsyth é hoje vice-diretor-executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Ele disse à rede BBC que suas desculpas por “conversas inadequadas e irrefletidas com colegas” foram aceitas, e que “achava que o assunto tivesse se encerrado muitos anos atrás”.
No final de semana, a instituição disse que Brendan Cox, o viúvo de Jo Cox, parlamentar assassinada por um radical de extrema-direita em 2016, se demitiu da Save the Children depois de sofrer acusações de comportamento inadequado.
Cox, que continuou a fazer campanha para honrar a memória da esposa, se desculpou por suas ações, dizendo que não foram mal-intencionadas, mas às vezes impróprias, e que evitará cargos públicos para encarar os erros que cometeu na Save the Children.
(Por Alistair Smout)