Há décadas o Brasil vive as tragédias anunciadas das chuvas de verão na região Sudeste e Sul. Tempestades intensas, deslizamento de encostas sem cobertura vegetal, cursos d’água saindo das calhas para invadir áreas urbanas ocupadas sem o mínimo planejamento. Foi o que ocorreu na semana que passou em Juiz de Fora e Ubá, Minas Gerais, que em três dias e sobre uma área bem menor somaram uma quantidade de vítimas fatais que supera as 54 registradas na grande enchente do Rio Taquari, no Rio Grande do Sul, em setembro de 2023. Até a tarde deste sábado havia 70 mortos e quatro desaparecidos.
Para piorar, o relevo de planalto ondulado de Minas contribui, permitindo que ondas de lama soterrem casas e vias praticamente sem aviso. De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Juiz de Fora é a 9ª cidade do Brasil com maior população em áreas de risco. De seus 540.756 habitantes registrados no Censo, 128.946 vivem em locais onde ocorrem deslizamentos, enxurradas e enchentes.
Por isso a Imagem da Semana é mais do mesmo. Os bombeiros retirando um corpo soterrado em Juiz de Fora, na terça (24), repete o que ocorreu no Rio Grande do Sul em 2024, com 184 mortos, assim como no Litoral Norte de São Paulo, em fevereiro de 2023, com 65 mortes e bairros inteiros destruídos em Ubatuba e São Sebastião. A lista é vasta: 241 mortos em Petrópolis (RJ), em fevereiro de 2022; 10 no interior do Espírito Santo em 2020; 1.216 mortos e desaparecidos na Região Serrana do Rio, em 2011; 267 no Morro do Bumba, em Niterói (RJ), em 2010.
Ao quadro recorrente que só muda de lugar são acrescidos os efeitos cada vez mais frequentes dos extremos climáticos. Em fevereiro a região de Juiz de Fora recebeu quatro vezes mais chuvas que a média histórica, criando a maior enchente já registrada. Passado o desastre, a administração e os moradores precisarão reconstruir seus futuros sabendo que outro episódio similar ocorrerá em breve em algum lugar do Brasil.
