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Brasileiros se dizem felizes, mas desigualdade marca acesso ao bem-estar

Lorena Scavone Giron
26 de março de 2026
Levantamento indica que 89% se consideram felizes, apesar de ansiedade, pressão e diferenças regionais

Estudo sobre bem-estar no país mostra que 89% dos brasileiros se consideram felizes, mas essa percepção convive com níveis elevados de preocupação, ansiedade e desigualdade no acesso às condições de qualidade de vida. Os dados fazem parte do estudo “Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026”, conduzido pela pesquisadora Renata Rivetti em parceria com o Instituto Ideia.

Segundo a pesquisa, 46% dos entrevistados afirmaram ter sentido preocupação no dia anterior à coleta, enquanto 33% relataram ansiedade frequente e 29% estresse recorrente. O levantamento aponta que a felicidade no Brasil não se distribui de forma homogênea e está mais associada a vínculos sociais, pertencimento e capacidade de adaptação do que a fatores estruturais.

“Os dados mostram que o Brasil não pode ser entendido apenas como um país feliz. Ele precisa ser lido como um país em que a felicidade convive com pressão cotidiana e desigualdade no acesso ao bem-estar”, afirma Renata Rivetti.

As diferenças aparecem tanto entre regiões quanto entre grupos sociais. Norte e Nordeste registram maior nível de felicidade declarada, enquanto o Sul apresenta os menores índices. Já no recorte de renda, há disparidades no acesso a redes de apoio, vida social e satisfação profissional.

O estudo também identificou variações geracionais: jovens entre 16 e 24 anos apresentam níveis mais baixos de felicidade em comparação com pessoas acima de 60 anos. Entre os fatores associados estão o uso intensivo de redes sociais e a tendência à comparação constante.

Outro recorte relevante mostra que pessoas que se declaram homossexuais reportam menor nível de felicidade em relação aos heterossexuais, indicando impacto de fatores como segurança e pertencimento social.

Apesar do cenário de pressão cotidiana e desconfiança institucional, a maioria dos brasileiros mantém uma visão positiva sobre o futuro. “Existe uma convivência entre ceticismo e esperança. As pessoas reconhecem os problemas, mas continuam acreditando que a vida pode melhorar”, diz a pesquisadora.

O levantamento ouviu 1.500 brasileiros entre fevereiro e março de 2026, com margem de erro de 2,5 pontos porcentuais e nível de confiança de 95%.

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