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Voto útil beneficia Flávio Bolsonaro

Aluizio Falcão Filho
26 de dezembro de 2025

Se a tendência capturada pela última enquete do instituto Paraná Pesquisas estiver correta, o voto útil de oposição entrou em cena. Segundo o estudo, as intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro cresceram significativamente nos últimos dias. Na simulação de primeiro turno, ele tinha 17 pontos percentuais de desvantagem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, essa diferença é de 9,8%. No segundo turno, haveria empate técnico entre os dois (44% contra 41%).

Há dois fatores que podem explicar o crescimento de Flávio. A primeira é justamente a união da oposição em torno de um nome (embora Ratinho ainda pontue com 9% das intenções). Com a saída do governador Tarcísio de Freitas do páreo, o filho do ex-presidente aglutinou a maior parte dos eleitores que não querem mais a continuidade de Lula.

Existe também o fator moderação. Em todas as suas entrevistas e encontros com empresários, Flávio Bolsonaro tem mostrado que tem um perfil diferente do pai — e tem modulado seu discurso em três pilares. São eles: segurança pública, responsabilidade fiscal e manutenção dos programas sociais (desde que não representem risco às contas públicas).

Neste novo cenário, a alta rejeição capturada pela pesquisa do instituto Quaest é difícil de entender (especialmente se confrontada com o índice verificado pelo Datafolha, bem menor). Se 60% rejeitavam o senador há dez dias, como é que a situação mudou tão rápido?

Qualquer que seja a resposta, a performance de Flávio nesta pesquisa é uma injeção de otimismo em sua campanha, especialmente porque o candidato ainda não botou o bloco na rua para valer. Daqui para a frente, ele terá de conduzir suas falas públicas com cuidado para não cair em armadilhas e será bombardeado pelas hostes que apoiam o governo.

O senador tem uma estratégia para conquistar votos em determinadas regiões. Como ele mesmo disse a MONEY REPORT, em encontro realizado com empresários na semana passada, vai concentrar seus esforços nos estados de São Paulo e Minas Gerais, onde conta com o apoio dos governadores locais.

No último pleito, Lula saiu vitorioso porque ganhou por uma vantagem enorme no Nordeste e perdeu por pouco no Sudeste. A ideia do comando da campanha de Flávio é vencer por uma vantagem acachapante nestes dois estados e, com isso, reduzir a vantagem que o presidente possui da Bahia ao Maranhão.

O avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas indica que a disputa tende a se intensificar ainda no início do ano, com movimentos estratégicos de ambos os lados e um eleitorado cada vez mais sensível a sinais de viabilidade. O desfecho dependerá da capacidade das campanhas de consolidar apoios regionais, reduzir rejeições e apresentar propostas que dialoguem com as preocupações centrais do país, num ambiente político em que cada ponto percentual pode redefinir o rumo da eleição.

O segredo, para variar, estará em sensibilizar os eleitores de centro. Quem vai parecer mais moderado a esses cidadãos? Um presidente que se diz moderado, mas faz um governo com tintas esquerdistas? Ou um senador que também se diz moderado, mas traz um sobrenome que levanta controvérsias e extremismos?

A campanha de 2026 promete ser palpitante.

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Comentários

Uma resposta

  1. Se a eleição de 2026 ficar reduzida a Lula X Flavio Bolsonaro, não vejo grande futuro para o país. Lula não tem mais cartas na manga, nem surpresas, nem novidades. Flavio é maisum dos políticos que pouco ou quase nada produziram nos seus anos de política. Ao contrário, pesam sobre ele, questões não explicadas, como a compra de imóveis com dinheiro vivo, incompatíveis com os valores percebidos por este ao longo de sua vida “profissional”. Nunca foi um político de relevância e o que mais fez, foi defender o pai. De que sempre esteve à sombra. Frustrante essa possibilidade. Ainda acredito (e torço) num nome, numa 3a via. Que não seja, claro, Ciro, de quem já fui fã. Mas, também me decepcionou. Estou cansado de políticos pouco comprometidos com as reais necessidades do povo e do país. Enquanto estivermos divididos entre ter um presidente que só olhe pra área econômica/financeira versus um que só olhe pra área social, estaremos condenados a “andar de lado”. O Brasil merece mais.

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