O único candidato que parece estar em uma situação confortável, neste momento, é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Conseguiu conter o crescimento de sua impopularidade e, graças ao caso Dark Horse e à ameaça de tarifaço de Donald Trump, seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro, caiu nas pesquisas. Flávio luta para recuperar os votos perdidos, mas uma parte de seus apoiadores está reticente sobre sua viabilidade no segundo turno. Estes grupos políticos aguardam os próximos capítulos da novela (ou melhor, do filme) Dark Horse para avaliar melhor o cenário antes de seguir no barco bolsonarista.
Mas e os demais postulantes à presidência?
Romeu Zema e Ronaldo Caiado padecem de um mesmo mal: são uma opção a Flávio Bolsonaro, mas não podem falar mal dele. Caso se indisponham com o eleitorado bolsonarista, ficarão sem apoio de uma parcela destes cidadãos no segundo turno. Zema percebeu rapidamente isso e recolheu as críticas feitas ao senador logo após o vazamento de mensagens que mostravam a conversa entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Diante disso, estão travados. Não podem fustigar o adversário e, por isso, perdem a chance de navegar nas águas dos eleitores independentes, que estão divididos entre a urna e a abstenção. Ao mesmo tempo, não convencem o eleitor bolsonarista a mudar seu voto. Por isso, acabam patinando.
Já Renan Santos partiu para o ataque à direita e à esquerda e acabou crescendo, embora ainda esteja muito longe dos líderes. Ele assumiu o terceiro lugar da pesquisa Quaest, com 3%, empatado com Caiado e embolado com Aécio Neves e Zema. Muitos apostam em um crescimento ainda maior do candidato do Missão/MBL, algo bastante provável, especialmente por conta da penetração que ele possui junto ao eleitorado mais jovem.
No entanto, Renan mostra uma fragilidade razoável no segundo turno. O discurso agressivo contra Flávio é algo que deve provocar uma forte rejeição por uma parte dos bolsonaristas na segunda parte das eleições. Isso pode ser percebido na simulação feita pela Quaest. Enquanto Zema e Caiado têm 34% cada, Renan aparece com 31%.
Um evento que reuniu empresários em torno do candidato do MBL na última quarta-feira mostrou um pouco mais de sua personalidade a uma plateia que estava curiosa. Os empresários presentes saíram de lá um tanto divididos. Gostaram de algumas colocações, mas se sentiram desconfortáveis com dois pontos.
O primeiro: Renan disse que o eleitorado feminino é majoritariamente de esquerda e que não seria uma prioridade para ele (as mulheres representam 52,8% do total de eleitores no Brasil). Isso não é exatamente corroborado pelas pesquisas. Vamos ver, por exemplo, o que diz o estudo “Panorama Político”, realizado pelo DataSenado e pelo instituto Nexus em 2024. Quase metade das mulheres com direito a voto, 46%, não se identifica com nenhuma corrente política e 9% se declaram de centro. Entre as que assumem um posicionamento mais explícito, 24% se dizem de direita e 14% de esquerda.
Outra questão que deixou os empresários encafifados foi o teor de agressividade do discurso e a aparente falta de jogo de cintura, algo que lembrou vagamente o estilo de Pablo Marçal, mas sem o tempero destrambelhado do ex-coach.
Como se vê, Renan não se sente travado e é o único candidato que diz realmente o que pensa. O problema é que, dependendo do assunto, ele pode passar de sincero a sincericida. Alguém ganha uma eleição se comportando assim?