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Quem delata por último não delata melhor

Aluizio Falcão Filho
17 de março de 2026

O ex-ministro Antonio Palocci é citado frequentemente por advogados de defesa quando seus clientes têm diante de si a possibilidade de uma delação premiada. Palocci negou-se a aderir a qualquer acordo com a Polícia Federal ou o Ministério Público Federal quando foi encaminhado à prisão. Foi mofando na cadeia e viu seus colegas delatores sendo libertados. Quando finalmente resolveu abrir o bico, contou um determinado episódio em um depoimento. Seus interlocutores responderam que já sabiam do caso. O ex-ministro contou outra história. A reação foi a mesma. Passou para uma narrativa seguinte. Idem.

Neste momento, resolveu montar um relatório com seus advogados. Produziu um documento absolutamente fantasioso, retirado em sua maioria de conjecturas e mexericos publicados na imprensa. No final, a PF resolveu aceitar o acordo. Resultado: Palocci ficou encarcerado por dois anos e onze meses.

Este caso foi com certeza discutido entre advogados e pelo menos três envolvidos no caso do Banco Master: Daniel Vorcaro, Augusto Lima e Fabiano Zettel. Hoje, esses três ex-dirigentes do Master devem estar pensando que, se ficarem por último no processo de delações, podem não ter informações inéditas para barganhar.

As delações não são mais cruciais para o processo de investigação (os celulares dos acusados já fornecem pistas suficientes para encontrar provas irrefutáveis). Mas os depoimentos dos acusados podem acelerar o indiciamento de determinadas autoridades.

Vorcaro pode até resistir em falar. Mas Lima e Zettel poderiam dar o caminho das pedras para a PF. Dessa forma, a chance de pelo menos um integrante do trio dar com a língua nos dentes é altíssima. A Polícia Federal, porém, está convencida de que a possibilidade de os três colaborarem com as investigações é altíssima.

Ao contrário do que foi publicado nas redes sociais, Daniel Vorcaro não teve nenhum surto na prisão em Brasília, segundo o site Metrópoles. Os relatos vindos do cárcere dizem que o ex-banqueiro está triste, mas controlado.

O que pode acontecer agora? Nestes casos, a lealdade entre cúmplices dura menos do que a paciência dos investigadores. A PF não está mais na fase de juntar peças soltas. Está apenas observando quem vai admitir primeiro aquilo que já está praticamente comprovado.

Vorcaro, Lima e Zettel sabem que não estão diante de uma investigação improvisada, dado o material apreendido. O que falta é a confirmação de quem fez o quê e isso pode surgir de qualquer um dos três investigados. O caso do Master caminha para repetir o padrão de tantas outras operações. Quem demora demais para falar acaba descobrindo que não tem mais nada a oferecer. E, quando o processo chega a esse ponto, não há advogado que consiga transformar silêncio em vantagem para os acusados.

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