Luiza Helena Trajano, Alcione Albanesi e Gabriela Baumgart defenderam que empresas podem combinar lucro, responsabilidade social e transformação de comunidades durante o Summit Mulheres nas Profissões
A transformação social pode nascer dentro das empresas e crescer com a mesma disciplina aplicada aos negócios. Essa foi a principal mensagem do painel “Projetos que Mudam Destinos”, realizado nesta terça-feira (4) no Summit Mulheres nas Profissões, que reuniu Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil, Alcione Albanesi, fundadora da ONG Amigos do Bem, e Gabriela Baumgart, presidente do Conselho de Administração do Grupo Baumgart e embaixadora do Centro de Governança da Família Empresária do IBGC.
As três executivas defenderam que impacto social, propósito e rentabilidade não são conceitos opostos. Pelo contrário: afirmaram que empresas bem geridas têm potencial para gerar desenvolvimento econômico e transformar realidades.
“Os negócios são os que mais podem mudar a realidade dos clientes, do entorno e dos parceiros. Acredito muito em um modelo de negócio responsável. Vamos fazer do nosso dia a dia a grande diferença”, afirmou Gabriela Baumgart.
Segundo ela, o legado das empresas vai além dos resultados financeiros e depende da capacidade de gerar impacto positivo nas comunidades onde atuam.
Fundadora da Amigos do Bem, Alcione Albanesi compartilhou a trajetória que a levou a vender uma empresa de sucesso para dedicar sua vida ao desenvolvimento do sertão nordestino. Hoje, a organização atende cerca de 150 mil pessoas em situação de vulnerabilidade por meio de educação, geração de renda, saúde e infraestrutura.
“Ninguém constrói nada sozinho”, afirmou. “Hoje, 95% dos nossos colaboradores são pessoas que cresceram dentro do projeto. São mais de 700 jovens formados que hoje trabalham conosco como pedagogos, administradores e profissionais de diversas áreas.”
A empresária destacou que o trabalho social precisa ser conduzido com o mesmo nível de planejamento e gestão de uma empresa privada. Segundo ela, a ONG mantém auditorias independentes desde 2016 e investe continuamente em indicadores de desempenho, especialmente na educação.
Ao mediar a conversa, Luiza Trajano reforçou que propósito é o principal elemento capaz de sustentar projetos de longo prazo.
“O que nos segura é o propósito”, disse.
A empresária também defendeu que o setor privado tem responsabilidade direta na redução das desigualdades brasileiras e que não cabe apenas ao poder público enfrentar esse desafio.
“Eu confesso que, muitas vezes, é difícil equilibrar lucro e impacto social. Mas até uma ONG precisa de resultado para sobreviver. Lucro e social podem caminhar juntos.”
Encerrando o painel, Alcione lançou o livro Coragem de Transformar — A Escolha que Mudou Tudo, obra em que relata a decisão de deixar a carreira empresarial para construir a Amigos do Bem. Ao falar sobre legado, resumiu a mensagem que marcou o debate.
“Não seremos conhecidos pelo dinheiro que tínhamos no banco. Seremos conhecidos pela bondade que espalhamos e pelas vidas que conseguimos tocar.”
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