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Os dois lados do governismo de oposição

Aluizio Falcão Filho
28 de agosto de 2025

Na última reunião ministerial (imagem), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um​ recado direto para os partidos do Centrão que têm ministérios na Esplanada, mas​ votam frequentemente contra os interesses do governo. Lula disse que essas​ siglas não podem ter um “pé no governo e outro na oposição”. Já faz algum tempo que o jornal “O Estado de S. Paulo” definiu o comportamento destes partidos como sendo um governismo de oposição. Na prática, as agremiações políticas desfrutam das delícias de controlar ministérios, mas não oferecem fidelidade parlamentar em troca.  Para o governo, é o pior dos mundos: concede verbas e cargos para um partido que vota contrariamente ao que o Executivo precisa no Congresso.  

Neste caso específico, precisamos destacar a recente federação composta entre União e PP, naquilo que se convencionou chamar de “União Progressista”. Essa federação virou peça-chave no tabuleiro político de 2025. Com a maior bancada do Congresso, ela tem votado de forma independente, ora alinhando com o governo, ora impondo derrotas estratégicas. Apoiou a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, mas sabotou as compensações fiscais. Na CPMI do INSS, emplacou relator crítico ao Planalto. Na reforma tributária, dividiu votos e travou o avanço do novo IVA. E quando o governo tentou limitar a desoneração da folha, a federação puxou o freio. Mesmo com quatro ministérios, o discurso interno é de independência — e a prática confirma.

Com estrutura robusta, fundo eleitoral bilionário e sete governadores, a União Progressista já ensaia voo solo para 2026. Ronaldo Caiado se lançou como pré-candidato e Tarcísio de Freitas aparece como nome de consenso entre centro e a direita (tirando os mais extremistas, ainda arredios). A federação quer ocupar o espaço entre o lulismo e a extrema-direita, com discurso liberal na economia e conservador nos costumes. Se mantiver a força nas votações e ampliar sua base nos estados, pode ser o fiel da balança — ou até o protagonista — da próxima eleição presidencial.

O voto independente dos parlamentares da federação, ainda, foi algo importante para a negociação política em Brasília – em especial para os conservadores, que tiveram vitórias importantes em determinadas votações, e acabaram constrangendo o Planalto em investir nas pautas mais radicais que aparecem nos programas do PT e do PSOL.

Para Lula, no entanto, isso é péssimo. Afinal, ele está repartindo o poder e recebendo em troca um tratamento muito parecido com aquele dispensado pelos opositores. Dessa forma, é natural que o presidente se irrite com o comportamento dúbio (e até hipócrita) dos partidos que estão com um pé em cada canoa.

Portanto, do ponto de vista ético, o que essas agremiações estão fazendo é um tanto duvidoso – mas essa é a essência do Centrão, que se sente inevitavelmente atraído pelo poder. Lula aumentou o número de ministérios de 23 para 38, com o objetivo de consolidar o apoio no Congresso. Não foi, porém, o que aconteceu, daí a raiva do presidente.

Cedo ou tarde, porém, deverá haver um afastamento, até porque dos quatro governadores que se colocam como pré-candidatos, três pertencem a partidos que estão na Esplanada (Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr.). Neste momento, o do desembarque, haverá um ministério mais alinhado com os anseios petistas. Como estaremos em plena eleição, é de se esperar que o governo adote um tom ainda mais populista. Só que vai ter de rebolar para aprovar suas medidas no Parlamento. Qual será o final desta história? Por enquanto, ninguém sabe.

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