Uma cena me impactou no início desta semana. O americano Ajay Haridasse estava terminando a maratona de Boston, quando seu corpo entrou em pane. Ele caiu e tentou se reerguer algumas vezes, mas não conseguiu. Foi aí que dois corredores interromperam a sua prova e o ajudaram: o britânico Aaron Beggs e o brasileiro Robson Oliveira, que buscava bater seu recorde pessoal neste tipo de prova (na imagem, Robson é o da esquerda).
Uma quantidade enorme de maratonistas passou por Haridasse e nem cogitou parar. Todos estavam focados em seu objetivo: terminar o percurso de 42 quilômetros e 195 metros. Esses momentos finais são, de fato, importantíssimos para os atletas, especialmente quem disputa a prova de Boston, que aceita apenas aqueles que conseguiram terminar maratonas com um tempo máximo de quatro horas e 34 minutos (o que representa um ritmo de seis minutos e meio por quilômetro; parece fácil em uma corrida curta, mas é dificílimo quando falamos em uma prova de longa distância).
Antes de avistar Haridasse, Robson acreditou que bateria seu recorde pessoal. Mas desistiu quando viu aquele atleta se contorcendo no chão e sendo levantado por um colega. Teve o impulso de ajudar e se juntou à dupla. Os dois corredores solidários foram considerados os heróis da maratona de Boston. E fizeram isso sem esperar nenhum reconhecimento. Apenas para ajudar uma pessoa que não conheciam.
O próprio Robson (@oliveirarobson89) explicou o que houve em sua conta no Instagram: “Foi um decisão de segundos, quando entrei na avenida final da maratona, faltavam alguns metros para conseguir o meu melhor tempo, mas vi, à distância, o @a_harid24 em colapso, e eu sabia que não teria forças sozinho para ajudá-lo. No momento, eu pensei: “Deus, se alguém parar, eu também vou ajudá-lo”. E Deus foi tão generoso conosco que o @aaronthomasbeggs parou, e eu sabia que eu poderia ajudar, pois 2 são mais fortes do que apenas um! Grato a Deus pela força que nos deu naquele momento, e pelo Harid, não ter desistido! Meu amigo, você foi muito forte!!! Parabéns pela prova e isso é o espírito de Boston!”.
Quando ficamos sabendo que Robson Olivera é um metalúrgico que chega a treinar quatro horas por dia, em função de sua dedicação ao esporte, a admiração pelo seu gesto só aumenta.
Atitudes como a de Robson e Beggs lembram que o esporte revela muito mais do que desempenho físico. Os atletas, muitas vezes, precisam fazer escolhas morais em segundos, quando ninguém tem tempo para calcular ganhos ou perdas. A decisão de parar e ajudar um desconhecido mostra que a busca por resultados pode conviver com valores que ultrapassam qualquer marca pessoal.
Agora, pense bem e responda com sinceridade: você pararia para ajudar alguém em apuros ao final de uma corrida, como fizeram Beggs e Robson Oliveira?
Uma resposta
Com sinceridade, respondendo sua pergunta, eu não tenho dúvidas que pararia para ajudar alguém nesta situação. Uma vez ouvi do filósofo Mário Sérgio Cortella, o relato de uma situação parecida, em que um corredor, em segundo lugar em uma prova, reduziu seu ritmo para avisar ao que estava em primeiro que ele, embora já tivesse entrado no estádio, ainda não tinha cruzado a linha de chegada. Quando perguntado porque não se aproveitou da situação para ganhar a corrida, ele respondeu com algo como : se eu fizesse isto como iria encarar minha mãe? Parabéns ao nosso metalúrgico. Hoje nos faltam ídolos como este.