Os empresários e executivos de sucesso são geralmente definidos como pessoas resilientes e esforçadas. Enquanto muitos ficam pelo caminho, esses indivíduos, como um Rocky Balboa, continuam em pé, não importa o número de bordoadas que recebem da vida. Ultimamente, porém, tenho visto que alguns colegas que resistem a vários socos recebidos no ringue dos negócios têm queixo de vidro para críticas em relação à política ou à vida pessoal.
Talvez existam resiliências diferentes: uma para o mundo empresarial e outra para a intimidade. Como trabalhamos boa parte de nossas vidas, nos treinamos melhor para nos manter erguidos no campo profssional quando vários tombam ao nosso redor. No entanto, quando falamos do lado íntimo de nossas existências, a coisa fica mais complicada. Nossa experiência em resistir às críticas ao nosso modo de viver é menor. Por isso, nos desequilibramos facilmente nesse terreno.
Além disso, os empresários estão acostumados a decidir. Ouvem os outros, mas decidem sozinhos. E aqueles que discordam de suas ideias o fazem com respeito excessivo, o que amacia muito as críticas. Por esta razão, quando topamos com um amigo ou um parente que nos alfineta de forma nua e crua, sem a anestesia da polidez, podemos ficar sem reação.
Pessoas que atuam há muito tempo no mundo dos negócios têm fama de serem frias e calculistas. Já li essa descrição sobre alguns empresários que conheço em jornais e revistas – e, no círculo mais próximo, sei que esses indivíduos são carinhosos e solidários com as pessoas de quem gostam.
Ao mesmo tempo, existe nesses mesmos empresários uma espécie de distância regulamentar entre eles e a maior parte da humanidade. Um escudo para evitar que os outros percebam suas fragilidades e, ao mesmo tempo, não se sensibilizar com eventuais problemas alheios.
Talvez o problema esteja justamente aí. Quanto mais rico e poderoso alguém se torna, menor o número de pessoas dispostas a dizer o que ele não quer ouvir. Funcionários, fornecedores, consultores e até amigos passam a medir as palavras e o empresário acaba cercado por uma corte de concordâncias que o protege das frustrações cotidianas. É a velha fábula da roupa nova do imperador, contada por Hans Christian Andersen, em que ninguém tem coragem de avisar ao rei que ele está nu. Sem treino para lidar com a crítica direta, a musculatura emocional atrofia e uma alfinetada num almoço de domingo pode doer mais do que a perda de um grande contrato.
Resistir às dificuldades faz um bom empresário, mas lidar bem com as frustrações constrói uma pessoa melhor. Mas como saber lidar com essas frustrações? Vale manter por perto algumas pessoas autorizadas a falar sem anestesia, como um amigo antigo, um mentor ou um conselheiro independente e tratar suas críticas como trataríamos um relatório de mercado desfavorável: com atenção, sem drama e com disposição para corrigir a rota. No terceiro filme da série, Rocky Balboa só voltou a vencer quando aceitou ouvir verdades duras de quem estava ao seu lado. Fora do ringue dos negócios, a lógica é a mesma.