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O novo papel de Ratinho Jr. na eleição presidencial

Aluizio Falcão Filho
23 de março de 2026

O governador do Paraná, Ratinho Jr., decidiu não mais ser candidato à presidência da República e permanecer no Palácio Iguaçu até o final de seu mandato. Além das chances remotas de passar ao segundo turno das eleições presidenciais, Ratinho enfrentava outro problema: seu rival regional, o senador Sergio Moro, lidera as pesquisas e é favorito ao governo paranaense.

Quem sai perdendo com essa desistência é o eleitor independente de centro, que via no governador paranaense uma opção relevante à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Esses apoiadores, agora, observam o que farão os dois nomes remanescentes do PSD para a corrida presidencial: os governadores Ronaldo Caiado e Eduardo Leite.

São dois recém-chegados ao partido. O gaúcho tem um perfil mais próximo ao de Ratinho, enquanto o goiano tem características mais alinhadas com o bolsonarismo. Lembremos ainda que Ratinho renuncia à candidatura justamente quando seu nome estava praticamente sacramentado pela executiva pessedista.

Agora, o governador terá de ser extremamente hábil para derrotar o ex-juiz da Lava Jato sem comprar briga com os bolsonaristas, que estão alinhadíssimos com o senador paranaense. O eleitorado de Flávio Bolsonaro é maioria no Paraná e Ratinho terá de mirar exclusivamente em Moro, que é do mesmo partido de Flávio. Conseguirá?

Antes de mais nada, o Ratinho precisará escolher logo quem será o seu candidato à sucessão, se o deputado estadual Alexandre Silva, o secretário Guto Silva ou o ex-prefeito Rafael Greca. Todos, no entanto, estão bem atrás de Sergio Moro nas últimas pesquisas.

No primeiro turno, o papel de Ratinho será o de dar apoio a Leite ou a Caiado. Mas, na segunda etapa do pleito, terá de fazer uma ginástica danada para dar apoio a Flávio sem beneficiar Sergio Moro. Para fazer isso, terá de emular o estilo do presidente de seu partido, Gilberto Kassab, que é um mestre de colocar o pé direito em uma canoa e o esquerdo em outra.

Se ficar em cima do muro, poderá ser ministro em 2027, independente de quem seja o vencedor. Sabe-se que o PSD estará na Esplanada no ano que vem, não importa quem ocupe o Planalto. Sabendo disso, talvez Ratinho aposte na neutralidade, usando a disputa regional como desculpa. Isso interfere na eleição presidencial? Talvez não. Mas a neutralidade tem o seu lado ruim: não será prioridade na hora em que o novo presidente escolher os titulares de suas principais pastas.

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